Alckmin é a favor do seguro rural para cafeicultores

MARCELO GREGÓRIO
[email protected]

As condições climáticas severas, que impedem os pequenos cafeicultores de obter lucro com a safra, foram apresentadas ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), durante visita a Poços de Caldas. Ciente da situação, ele se posicionou favorável ao seguro rural, que é uma proteção financeira criada para amparar produtores rurais contra perdas em suas lavouras, rebanhos, benfeitorias e equipamentos.

Com destaque para o café, Alckmin discursou sobre o tema durante o encontro “Sul de Minas: Nossa Terra, Nosso Futuro”, realizado no dia 18 de outubro, no teatro do Palace Casino, com presença de O MUNICIPIO.

Poços de Caldas: vice-presidente Geraldo Alckmin deu atenção a produtores e apoiadores após evento realizado no Palace Casino (Marcelo Gregório)
Feira do Café: representantes da Vinícola Três Batalhas exibiram o café especial 100% arábica (Marcelo Gregório)

Sobre a importância do seguro rural, o vice-presidente lembrou de uma situação crítica que presenciou em Minas Gerais, anos atrás, quando esteve em uma determinada cidade, que não teve o nome citado. “Eu fui uma vez ao Sul do estado e, na campanha [política], dormi na casa do prefeito. Nunca passei tão frio na minha vida. O candidato a deputado federal, que era agrônomo, me mostrou: ‘está vendo esse café? Vai ser uma safra espetacular’”, garantiu. No entanto, no dia seguinte, a expectativa de sucesso teria ido por água abaixo. “Dr. Geraldo, tudo que eu falei, ontem, esquece. Deu uma geada, queimou tudo”, lamentou o produtor a Alckmin.

EL NIÑO
Sobre a importância do seguro rural, o Ministério da Agricultura e Pecuária lançou no início do mês uma página oficial (gov.br/agricultura) com informações e orientações sobre o El Niño, fenômeno natural que aquece as águas do Oceano Pacífico e muda o regime de chuvas e ventos, provocando seca em algumas regiões do Brasil e excesso de chuva em outras. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “Então, essa questão climática, além do problema da geada, você tem problema de seca e problema de chuva demais. Essas questões vão crescer. Nós vamos ter que cada vez mais ter seguro rural [e] mecanismos para, quando a coisa não for bem, segurar a produção agrícola. E a outra é industrializar o máximo que a gente puder”, declarou Geraldo, incluindo a importância das cooperativas de café.

FEIRA DO CAFÉ
A visita de Alckmin ocorreu paralelamente à 2ª Festa do Café de Poços, realizada nos dias 17 e 18, ao lado do Parque José Afonso Junqueira, com a participação de expositores do setor cafeeiro. Representantes da Vinícola Três Batalhas, de Águas da Prata, integrante da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica, exibiram o café especial 100% arábica. O diretor executivo da associação, Ulisses Oliveira, participou do evento e reforçou o apoio dado pelo ex-ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), para que o café da região se tornasse conhecido no Brasil e no mundo. “Isso impactou a promoção e valorizção do nosso café, [pois] maioria [é] da agricultura familiar.  A gente está com uma nova solicitação que é construir um laboratório de torra do café para trazer mais conhecimento aos nossos produtores”, adiantou Oliveira.

EXPORTAÇÃO
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, sendo responsável por 38% da produção global, ficando à frente de Vietnã e Colômbia.  No país, Minas Gerais é o maior produtor, sendo responsável por quase a metade da produção nacional. O vice-presidente reforçou que, por aqui, mais se produz do que consome e, por isso, a exportação é necessária.

COMPARAÇÃO
Durante o encontro, ele declarou que o faturamento de um hectare de soja gira em torno de R$ 8.500. Já em dez mil metros quadrados de café, o valor salta para R$ 120 mil. “Nós produzimos o dobro que consumimos. E olhe que eu tomo 20 xícaras de café por dia. Tem que exportar. A Alemanha, que mais vende café na Europa, não tem pé de café nem no jardim botânico, industrializa [tudo]. Então, [precisamos] abrir mercado”, ressaltou Alckmin. “Eu fui à China [e observei que] uma rede de café compra US$ 500 milhões de dólares [do produto]. Se a China tomar mais de uma xícara por dia, [num total de] 1,4 bilhão de pessoas, vamos vender todo o café. [Nós precisamos] abrir mercado”, ressaltou Alckmin.

SÃO JOÃO
Na região de São João da Boa Vista, segundo dados da diretoria regional do Ciesp, de janeiro a agosto deste ano, o município exportou US$ 8 milhões de café, correspondendo a 20,7% do total de produtos exportados pela cidade (US$ 38,6 milhões). Em 2025, os principais destinos foram Estados Unidos (US$ 3,75 milhões), Japão (US$ 2,69 milhões), Suécia (US$ 2,60 milhões), Itália (US$ 2,27 milhões) e Bélgica (US$ 2,09 milhões).

A série de reportagens de O MUNICIPIO sobre a visita de Alckmin a Poços terminará na próxima edição com o tema desenvolvimento regional.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here