Delegado indicia casal por tentar matar e torturar bebê

MARCELO GREGÓRIO
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Presos desde o dia 31 de agosto, suspeitos de tortura e tentativa de homicídio contra um bebê de um ano, em São João da Boa Vista, a mãe da criança, Ana Julia de Carvalho Neves, 20, e o seu companheiro, Thiago Willians Gutian Leal, 33, foram indiciados após a conclusão do inquérito policial, instaurado e conduzido pelo delegado Fabiano Antunes de Almeida.

Ao O MUNICIPIO, o delegado informou que a apuração foi extensa e compreendeu diversos elementos probatórios. Agora, o material coletado pela investigação será enviado ao Ministério Público, que analisará se as provas são suficientes para que a denúncia seja feita à Justiça.

Crueldade: casal segue preso na Cadeia Pública de São João; pai biológico cuida do bebê (Reprodução)

O conteúdo reúne laudos médico-legais, prontuários e documentação hospitalar, registros e áudios do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Depoimentos de médicos e outros profissionais que atenderam a criança, testemunhas, perícias e diligências investigativas, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão integram o material. O delegado reforçou que a apreensão de objetos e medicamentos, extração pericial dos aparelhos celulares e de dados digitais, bem como a análise das comunicações mantidas entre Ana Julia e Thiago contribuíram para o desfecho do inquérito.

LAUDOS ESSENCIAIS
Fabiano afirma que os laudos médico-legais tiveram especial relevância. “Entre outros achados, foram constatadas lesões cranianas e oculares compatíveis com mecanismo de aceleração e desaceleração e com quadro de trauma craniano abusivo, tendo a perícia considerado o conjunto lesional incompatível com as explicações acidentais inicialmente apresentadas”, explicou.

O exame complementar, segundo a Polícia Civil, também forneceu esclarecimentos técnicos acerca dos possíveis efeitos de medicamentos e sobre a compatibilidade do trauma encefálico com movimentos de sacudir a criança.

“A prova digital, por sua vez, permitiu reconstruir um período anterior ao episódio mais grave, revelando elementos relacionados a práticas reiteradas de castigo e violência, utilização de objetos, submissão da criança a procedimentos com água, administração de medicamentos e preocupação com a existência e ocultação de marcas corporais. Todo esse material foi analisado conjuntamente com as demais provas, e não de forma isolada”, alegou.

O indiciamento do casal, de acordo com o delegado, não se tratou apenas pelo fim do prazo da prisão temporária, mas pela consequência da apuração e da reunião das provas.

Com o relatório final, o delegado também representou judicialmente pela decretação da prisão preventiva de ambos os investigados, apresentando fundamentação individualizada quanto à necessidade da medida cautelar. “A apreciação desse pedido compete ao Poder Judiciário, após a manifestação do Ministério Público”, reiterou.

RELEMBRANDO
O caso, que teve repercussão nacional, havia sido tratado, no início, como uma possível queda acidental do bebê. Porém, a alegação mudou de rumo quando a Polícia Civil reuniu provas de que mãe, Ana Julia, e o seu companheiro, Thiago, teriam sido os responsáveis por atos de violência física e psicológica ao longo de semanas. O episódio mais grave, conforme citado pelo delegado, ocorreu em 19 de junho, quando o bebê sofreu traumatismo craniano, hemorragias retinianas e uma parada cardiorrespiratória, sendo internado na UTI da Unicamp.

Durante as buscas, a polícia apreendeu medicamentos controlados, máquina de choque, algema, simulacro de arma de fogo, colher de madeira, bacia plástica e celulares.

QUADRO DE SAÚDE
A reportagem do O MUNICIPIO tentou contato com a defesa de Ana Julia e Thiago, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Sobre o estado de saúde da criança, a advogada Júlia Abibe, que representa o pai biológico do bebê, informou que ele está bem e segue em recuperação.

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