ANA LAURA MORETTO
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O que começou em 2018 com um viveiro particular construído em uma propriedade de São João da Boa Vista se transformou em um trabalho coletivo de preservação ambiental. Criado por Marcos Parolin para produzir mudas junto com o filho, o espaço passou a receber amigos e voluntários e, depois deu origem ao Instituto Planeta Plantar.
“A ideia era promover a sustentabilidade socioambiental por meio da conservação e da restauração de ecossistemas, educação ambiental e trabalho voluntário. Após a construção do viveiro, os amigos foram chegando e formamos um grupo e, depois disso, criamos a associação”, contou Parolin.

Hoje, o Instituto atua na produção e doação de mudas nativas, arborização, recuperação de áreas degradadas, proteção de recursos hídricos e educação ambiental. O trabalho já contribuiu diretamente para o plantio de cerca de 45 mil árvores, envolvendo voluntários, estudantes, empresas e órgãos públicos. Também foram realizados 60 mutirões de plantio e 180 atividades socioeducativas, entre palestras, vivências e trilhas ecológicas. Dez escolas foram arborizadas gratuitamente.
O viveiro também é utilizado como espaço de aprendizado e banco de sementes de espécies nativas ameaçadas. Entre os projetos está o “Adote uma Árvore”, voltado à doação de mudas para arborização e conscientização ambiental. Na área hídrica, iniciativas como “Águas do Jaguari-Mirim”, “Águas do Campo” e “Água que se Planta” associam educação ambiental à recuperação de nascentes, matas ciliares e áreas de preservação permanente.
Outro destaque é o Projeto Araucária. Segundo o Instituto, já foram produzidas e doadas 4.500 mudas da espécie para propriedades localizadas acima de mil metros de altitude. A atuação também levou o Instituto a integrar o Comitê Estadual da Araucária, criado pelo Governo do Estado em 2026.
O projeto “Caçadores de Sementes”, conduzido por Parolin, amplia esse trabalho ao registrar a coleta de sementes de espécies nativas e as etapas de preparação e plantio, com atenção às árvores ameaçadas de extinção.
EDUCAÇÃO E EXPANSÃO
Atual presidente do Instituto, Sérgio Navarro destaca a educação ambiental, principalmente com crianças, como uma das principais frentes de atuação.
“Nossas principais ações são educação ambiental, principalmente com crianças, plantio de árvores na cidade e região”, afirmou. O grupo também desenvolve plantios em escolas e projetos de pomares urbanos. Dois pomares já foram instalados e aguardam a consolidação das áreas.
Entre as propostas em discussão está uma parceria com a prefeitura para a recuperação do Bosque Municipal. “A gente está num projeto que está em andamento para ver se consegue fazer uma parceria de recuperação do bosque com a Prefeitura”, explicou Sérgio.
Para acompanhar esse crescimento, o voluntariado continua essencial. O grupo reúne cerca de 90 pessoas e costuma receber entre dez e 20 voluntários aos sábados, na rua Luiz Previero, 141, das 9h às 12h. Quem quiser contribuir pode comparecer diretamente ao local nesse horário e conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelo grupo.
No futuro, a entidade pretende conquistar uma área própria e criar um Horto Florestal em São João.
“A gente sonha em ter uma área própria para conseguir expandir mais ainda a quantidade de mudas. A falta de recursos é um dos desafios. O Instituto não recebe verba orçamentária pública e não comercializa mudas, dependemos de doações e parceiros para manter as atividades”, afirmou Sérgio.
De um viveiro familiar a uma rede de voluntários e projetos ambientais, o Instituto busca agora ampliar a produção, alcançar mais municípios e fortalecer a relação da população com a preservação da natureza.




