Festival de capoeira reúne mestres e praticantes em São João

Ana Laura Moretto
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A capoeira ocupará diferentes espaços de São João da Boa Vista nos dias 10 e 11 de outubro, durante o festival ‘Uma Ginga de Cada Vez’, realizado pela União Capoeira Gingaiê (Ucagê). A programação reúne praticantes, professores e mestres de diferentes regiões do país para oficinas, rodas, apresentações culturais, batizados e formaturas.

Realizado tradicionalmente desde 2018, o evento tem como proposta aproximar os núcleos e praticantes da escola e promover um intercâmbio entre capoeiristas.

“A ideia de realizar o festival surge da necessidade contínua de promover a integração entre núcleos e praticantes, celebrar a trajetória da escola e proporcionar à comunidade um intercâmbio cultural de alto nível”, explicou Allan Porfirio dos Santos, mestre de capoeira.

Eventos: integrantes do União Capoeira Gingaiê durante atividades realizadas pelo grupo (Arquivo/Ucagê)

Criada em fevereiro de 2014, a Ucagê tem origem no Grupo Cativeiro, do mestre Miguel Machado. O grupo surgiu a partir da união dos professores Allan Porfirio dos Santos, Luciano Inglês Cunha, Fabio Caldeira, Welington Barbosa e Edvaldo Rodrigues Jesus (Baiano), com apoio dos alunos e supervisão do mestre Martins.

“O Gingaiê tem como objetivo principal manter viva a tradição cultural da arte e da luta, resgatando os ensinamentos de velhos mestres e criando uma comunidade mais humana no aspecto social e intelectual”, explicou Porfirio.

Atualmente, a escola reúne praticantes de diferentes idades e graduações e trabalha os fundamentos técnicos e teóricos da capoeira, incluindo elementos das vertentes da Angola e Regional, além da musicalidade, com os toques de berimbau e a bateria.

O projeto é mantido de forma independente, sem recursos de editais públicos ou de prefeituras. A estrutura conta com núcleos de treinamento, atividades sociais e bolsas.

“O grupo é mantido por meio de esforço colaborativo de seus membros, mestres e comunidade local. Há também uma importante colaboração privada da empresa Body Nutry”, explicou.

INTERCÂMBIO
Um dos destaques desta edição será a presença de capoeiristas de diferentes regiões. Participantes de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Bahia estarão em São João para as atividades.

“A escolha dos mestres e convidados é pautada pelo reconhecimento de suas trajetórias, idoneidade e contribuição histórica para a capoeira”, explicou o mestre.

O evento também terá uma pequena exposição sobre feminicídio, proposta pela graduada Raissa Oliveira. Serão apresentados jornais impressos e materiais informativos relacionados ao tema. Parte dos jornais foi obtida após uma das alunas procurar a redação do O MUNICIPIO em busca de matérias publicadas sobre feminicídio na região.

A proposta é aproximar a capoeira de outras discussões sociais. “O objetivo é unir a capoeira à reflexão cidadã, aos direitos humanos e ao respeito às mulheres”, enfatizou.

PROGRAMAÇÃO
A programação começa em 10 de outubro, na sede do Palmeiras, com café da manhã às 8h e oficinas das 9h às 12h, com o professor Aroeira e o mestre Animal. Das 14h às 18h, as atividades serão conduzidas pelos mestres Porfirio, Dani, Invertebrado e Andrezinho.

No dia 11, às 8h30, haverá uma roda na Feira Livre na rua Napoleão Conrado, 328. A partir das 10h30, o teatro Cidade das Artes recebe apresentações culturais, batizados, formaturas e reconhecimentos. O encerramento está previsto para as 13h30, com um coquetel.

O evento é gratuito e aberto ao público, sem necessidade de inscrição ou retirada antecipada de ingresso.

Para novos integrantes, a Ucagê também mantém os núcleos abertos. “O grupo é aberto a todos que desejam aprender e vivenciar a capoeira. Para novos integrantes, basta procurar um dos núcleos de ensino para iniciar os treinos regulares”, destacou.

Mais do que apresentar técnicas, a expectativa da organização é que o encontro também aproxime o público dos valores e da história da capoeira.

“Espera-se que o público leve consigo não apenas o encanto pela riqueza artística, corporal e musical da capoeira, mas também uma profunda reflexão sobre a importância da preservação das raízes culturais, da igualdade e da conscientização social”, concluiu o mestre Porfirio.

 

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