Galeria resgata esculturas originais de Furlanetto

Por Pedro Souza
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 São João da Boa Vista ganhou na sexta-feira (18) um novo espaço dedicado à preservação da memória artística do município. Inaugurada em frente ao Cemitério Municipal São João Batista, a Galeria Fernando Furlanetto reúne permanentemente 18 obras originais do escultor, utilizadas como modelos para as esculturas em mármore encontradas no cemitério.

Inauguração: público acompanha a abertura da galeria, em frente ao cemitério (Thaís Araújo)

Produzidas em gesso, ferro, juta e madeira, as peças permitem conhecer uma etapa anterior do trabalho de Furlanetto. No cemitério, estão cerca de 300 esculturas em mármore produzidas pelo artista, conjunto considerado um museu a céu aberto e importante acervo de arte funerária e patrimônio cultural de São João da Boa Vista.

A galeria foi instalada em um prédio que anteriormente funcionava como sanitário e estava desativado. O espaço passou por reforma e recebeu banheiros, rampas de acesso e sinalização tátil. Gradis provenientes de outros locais também foram reaproveitados na estrutura.

Entre os elementos incorporados ao espaço está o antigo portão da marmoraria onde Furlanetto trabalhava, na avenida Dona Gertrudes. A peça foi doada pela Unifae.

A presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Ângela Bonfante, ressaltou a proposta de aproximar o patrimônio da população e dos visitantes. Segundo ela, a iniciativa está alinhada à valorização da cultura e permite que moradores e turistas tenham contato direto com as obras de Furlanetto.

PRESERVAÇÃO
Antes de serem levadas à galeria, as esculturas passaram por um processo de restauração realizado pela artista plástica Silvia Maria Bastos Junqueira Espessoto. As estruturas internas apresentavam diferentes níveis de deterioração.

Durante a restauração, o ferro enferrujado foi substituído por aço inoxidável, a madeira afetada por fungos foi trocada e a juta deteriorada deu lugar a uma tela plástica.

A expectativa da restauradora é ampliar a durabilidade das peças. “Esperamos que isso conserve as peças por mais cem anos”, afirmou.

A recuperação das esculturas começou antes da criação da galeria. A artista Vânia Palômo, que participou da inauguração, lembrou que, em 1997, ela e outros entusiastas da cultura se mobilizaram para reunir as peças que hoje integram o acervo.

Na época, os modelos de gesso estavam espalhados por diferentes espaços públicos, entre escolas estaduais, departamentos públicos e o Theatro Municipal. O esforço permitiu reunir e preservar um conjunto que ajuda a compreender uma etapa do processo criativo de Furlanetto.

Com a abertura do espaço, o visitante pode conhecer os modelos originais antes de percorrer o Cemitério Municipal São João Batista e observar, em mármore, as esculturas produzidas a partir deles.

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