Por Ana Laura Moretto
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Após quase quatro décadas, São João da Boa Vista voltará a sediar um dos eventos que marcaram sua história cultural. O Festival de Música Brasileira será realizado entre os dias 13 e 15 de agosto, na sede social do Palmeiras Futebol Clube, resgatando uma tradição iniciada no fim da década de 1970 e interrompida no final dos anos 1980. Mais do que uma competição musical, o evento busca revelar novos talentos, fortalecer a cultura local e recolocar o município no circuito dos festivais de música.

Conhecido na época como Festival de Inverno da MPB, o evento era promovido pelo Palmeiras em parceria com o Lions Clube São João Norte. O principal objetivo era incentivar a produção de músicas inéditas e abrir espaço para compositores e intérpretes de diferentes regiões do país.
Segundo Hélio Fonseca, diretor municipal de Cultura, o festival rapidamente ganhou projeção e passou a atrair artistas de diversos estados, especialmente do Espírito Santo e das regiões Norte e Nordeste.
“São João viveu uma verdadeira invasão de compositores e grupos musicais. O festival projetava a cidade no cenário musical e reunia talentos de todo o Brasil. Entre os destaques da época, podemos citar Luís Carlos Ricci, Luís Nassif e o grupo paulistano liderado pelo músico João Henrique Leite Martins — que, em 1974, além de sagrar-se campeão, conheceu na cidade sua esposa, Ketlein Silveira”, contou.
Ao longo de 18 edições realizadas no clube alvinegro, diversos artistas passaram pelo palco do festival, como o Grupo Avena, de Limeira (SP), vencedor em duas ocasiões, além do sanjoanense Luís Carlos Ricci, da canção ‘A Praça Joaquim’, lembrada até hoje pela emoção provocada ao ser cantada por um ginásio lotado em homenagem à praça Coronel Joaquim José.
Apesar do sucesso artístico, o evento, que abriu espaço para dezenas de músicos de São João, chegou ao fim em 1988. De acordo com Hélio Fonseca, a interrupção ocorreu após dois anos consecutivos de prejuízo financeiro. Como o Palmeiras era responsável pelos custos, a diretoria decidiu encerrar sua realização.
A retomada começou a ser desenhada no início deste ano, quando a prefeitura resolveu resgatar o festival. A organização trabalhou na construção de um novo formato, preservando a essência das edições históricas e adaptando o evento aos dias atuais.
A edição de 2026 contará com duas eliminatórias, cada uma com 12 apresentações. Seis músicas serão classificadas por noite, formando a final com 12 concorrentes, marcada para o dia 15 de agosto.
A organização recebeu mais de 90 inscrições de diferentes estados brasileiros. A premiação total será de R$ 30 mil, distribuídos entre os três primeiros colocados, além de prêmios para Melhor Letra, Melhor Intérprete e Melhor Música/Arranjo. Os demais finalistas também receberão premiação pela participação.
“A ideia é transformar São João novamente em um ponto de encontro da música brasileira. Esperamos receber músicos de várias regiões do país, movimentar o comércio, a rede hoteleira e, principalmente, revelar novos talentos. Queremos que o festival volte a ser uma referência cultural para São João da Boa Vista”, afirmou Fonseca.
Quem também celebra a retomada é a cantora e compositora Silvia Ferrante, que participou de diversas edições do evento. “São João sempre foi um berço de grandes compositores, cantores e músicos em geral. Que a volta dos festivais traga esses talentos todos de volta!”, pontuou.



