Orgulho PcD reforça luta por respeito, autonomia e inclusão

Por Clovis Vieira
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 O mês de julho marca uma das mobilizações globais mais importantes para os Direitos Humanos: o Mês Internacional do Orgulho da Pessoa com Deficiência. Instituída originalmente nos Estados Unidos para celebrar a promulgação da lei de americanos com deficiências, em julho de 1990, a data ganha cada vez mais impulso no Brasil como um chamado para combater o ‘capacitismo estrutural’ e repensar o modelo de desenvolvimento social. Capacitismo estrutural é o preconceito profundamente enraizado na sociedade, que marginaliza e exclui pessoas com deficiência.

Repositor: João Matheus atua na Droga Raia onde convive com amigos de igual para igual (Clovis Vieria/O MUNICIPIO)

São João se destaca em alguns segmentos, com destaque para o comércio, exatamente por abrir oportunidades para pessoas PcDs de diversas idades. O supermercado Corso é um deles, empregando, atualmente, três sanjoanenses; o mesmo ocorre na empresa Dra Cherie. No Senac, o apoio ganha reforço pois oferece o Programa Educação para o Trabalho–Trampolim, voltado para a inclusão de pessoas com deficiência intelectual, e bolsas de estudo pelo Programa Senac de Gratuidade (PSG) para qualquer curso regular.

 

EXEMPLO
João Matheus Ferreira Vasconcelos Rinck, 22, foi diagnosticado como autista, mas graças ao empenho familiar atua no comércio sanjoanense e na Orquestra Brasileira Inclusiva (OBI) como tecladista. Foi devido à participação nesse grupo musical, que pode melhor relacionar-se com colegas de dificuldades similares. Elaine Cristina, 49, afirma que ser mãe do João é uma experiência “muito gostosa” porque ele sempre surge com “alguma surpresa” que agrada a todos em casa. Embora seja muito bem assistido, conquistando uma saudável autonomia, ainda não caminha sozinho pelas ruas da cidade.

O primeiro emprego formal surgiu a partir da autoconfiança adquirida nos ensaios e apresentações da OBI e no período em que esteve no Senac: hoje, ele atua como repositor numa filial da farmácia Droga Raia. Ali, convive colegas que o compreendem e respeitam suas limitações. E, 2022, participou do curso Jovem Aprendiz, no Senac. Naquela entidade, passou por alguns setores como a biblioteca, o almoxarifado, a contabilidade e a administração, cumprindo contrato de 18 meses.

Apaixonado pela cidade onde nasceu, ele classifica São João, como “maravilhosa e cheia de cultura”, onde cultiva muitos amigos. Outra atividade que pratica é o teatro amador, na CIA Inclusiva de Teatro ‘Ser Diferente’. No entanto, revela dificuldades com relação à mobilidade urbana para pessoas PcDs: ruas com muito movimento de veículos que, em diversas ocasiões, não abrem espaço para o pedestre. Apesar de importantes conquistas junto à sociedade, a empregabilidade da pessoa com deficiência na fase adulta ainda é um desafio.

ATITUDES
As gêmeas Fernanda e Fabiana Rocha Roxo, 40, são exemplos de superação. O autismo não as impede de praticar natação, canto, dança e teatro estão entre as atividades onde atuam com prazer. Ambas também apontam a necessidade de melhor regulamentação na lei do trânsito. “Nós, sendo autistas, precisamos da faixa vermelha de pedestre”, que talvez pudesse existir para pessoas com dificuldades similares às delas. Porém, a legislação brasileira não prevê o uso de faixa vermelha para a travessia de PcDs. As irmãs também reivindicam o respeito que nem sempre recebem de algumas pessoas, quando percebem olhares curiosos sobre elas em alguns locais por onde passam.

Entre as boas práticas de relacionamento, será melhor utilizar sempre os termos ‘pessoa com deficiência’ ou a sigla PcD. Expressões como ‘portador de deficiência’ ou ‘pessoa com necessidades especiais’ não devem ser usadas. Também se devem evitar atitudes de sobreproteção: ajudar é válido, mas sempre convém perguntar antes se a pessoa precisa e como prefere ser auxiliada. O respeito às Pessoas com Deficiência (PcD) exige combater o capacitismo e eliminar barreiras. Significa tratar a pessoa com naturalidade, reconhecer sua autonomia, dirigir-se diretamente a ela, usar a terminologia correta e garantir acessibilidade e igualdade de oportunidades.

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