Por Pedro Souza
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A grande enchente ocorrida recentemente em São João da Boa Vista deixou um rastro de destruição e prejuízos para as famílias que vivem nas áreas afetadas. Se, nos primeiros dias, a atenção esteve voltada à retirada de lama, entulhos e resíduos arrastados pela enxurrada, além da remoção árvores e galhos caídos em alguns locais, agora o foco se concentra nos prejuízos e na difícil tarefa de reconstrução enfrentada por aqueles que perderam praticamente tudo com o alagamento.

A aposentada Carmem Prado, 85, reside na rua Padre Josué, no São Lázaro, uma das áreas mais afetadas. Ela afirma que mora há cerca de 50 anos neste endereço e nunca presenciou um alagamento tão forte como este. “Nunca vi acontecer isso! Choveu muito e de uma vez só. Uma chuva grossa e pesada. Eu perdi tudo e não sobrou nada, não deu tempo de salvar nada”, contou. “Se não abrisse o olho, a água levava a gente junto”, relatou a moradora, apontando na parede o nível alcançado pela enchente.
No fundo do mesmo terreno mora o filho dela, Jesse Jaime Fogaça, 68, que também teve a residência severamente atingida. “Perdi tudo, televisão, fogão, geladeira… Desabou um quarto inteiro e só deu tempo de eu pegar meu documento e sair de casa. Em cinco minutos, a água veio no pescoço. Pegou todo mundo de surpresa”, afirmou.
De acordo com ele, a família precisa de ajuda para reconstruir o imóvel. “Já recebemos muita doação, mas precisamos de mais. Toda ajuda é bem-vinda”, disse. O morador relata que quem quiser colaborar financeiramente pode contribuir via Pix, pela chave (19) 99277-8657. O valor será destinado à compra de materiais de construção.
COMERCIANTES AFETADOS
Na avenida Brasília, no ponto mais baixo da via, o comerciante Giusmar Antônio Lopes Gomes, 58, também enfrentou as consequências da enxurrada. O muro que protegia o terreno onde funciona a floricultura desabou, arrastando terra, detritos e postes de cimento para a calçada.
“Por sorte, não sofremos prejuízo direto aqui na floricultura. Mas teremos de arcar com as despesas de reconstrução daquele trecho afetado”, disse. “Eu alugo este espaço há quatro anos e meio e foi a primeira vez que isso acontece. Nós já estamos em negociação com a proprietária, no sentido de dividir as despesas”, explicou o comerciante.
Gustavo Ansani, balconista de uma loja de videogames na rua Oscar Janson, um dos pontos mais críticos da enchente, relata que o estabelecimento teve de passar por adequações para evitar mais prejuízos. “A gente já providenciou para deixar tudo no alto, prateleiras, armários e tomadas. Quando ameaça alguma chuva mais forte, a gente já coloca os produtos para cima e vai embora para não ficar ilhado na loja”, declarou. “Acredito que precisava ser feito outros piscinões em outros pontos da cidade. Um ali próximo da quadra do Half seria o ideal. Talvez não resolveria, mas minimizaria o problema”, avaliou.
A Central de Distribuição dos Correios ficou completamente alagada. O prédio está localizado na rua Professor Hugo Sarmento, uma das áreas mais atingidas pela chuva. O problema ocorreu após o volume elevado de precipitação registrado na noite anterior, que causou transtornos em diferentes regiões do município.
COMO AJUDAR
Empresas e moradores que desejarem contribuir com doações podem procurar o Fundo Social de Solidariedade. O órgão está localizado na rua Saldanha Marinho, nº 399, no Centro. Para obter mais informações, basta ligar no telefone (19) 99220-7970.
A Atlética Medicina São João – ‘O Caveirão’ – do UniFAE lançou uma campanha de arrecadação de roupas, agasalhos e cobertores para as famílias afetadas. Os itens podem ser entregues diretamente no centro universitário. Para contribuições via Pix ou mais informações, deve-se entrar em contato diretamente com o grupo pelo perfil @atleticamedsaojoao no Instagram.
Já a Câmara Municipal de Águas da Prata também iniciou uma mobilização para arrecadar produtos de limpeza e de higiene pessoal para São João. Os itens devem ser entregues na sede do Poder Legislativo, situada na rua Doutor Brandão, nº 80, região central de Águas da Prata.




