Queda de cabelo preocupa e leva jovens a procurar dermatologistas

Por Ana Paula Fortes
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A queda de cabelo, antes associada principalmente ao envelhecimento, tem chamado a atenção de dermatologistas por surgir cada vez mais cedo. Embora não existam dados estatísticos precisos que comprovem um aumento significativo dos casos, a percepção clínica indica que jovens com menos de 30 anos têm procurado com maior frequência atendimento médico por perda capilar.

Capilar: leonardo percebeu a queda e buscou tratamento (Ana Paula Fortes/O MUNICIPIO)

Segundo a dermatologista Lígia Nasser, as causas da queda de cabelo são diversas e nem sempre estão ligadas à genética. “Entre os principais fatores estão a predisposição genética, o eflúvio telógeno, que pode ocorrer após dietas restritivas, perda de peso, infecções ou situações de estresse, além de alterações hormonais, deficiências nutricionais, uso inadequado de produtos químicos e doenças autoimunes, como a alopecia areata”, explicou.

Nos homens, especialmente quando há histórico familiar de calvície, o processo costuma se iniciar mais cedo. “Em geral, a alopecia androgenética pode surgir logo após o final da adolescência”, afirmou a médica. Hábitos comuns também geram dúvidas entre os pacientes. O uso de bonés e chapéus não causa queda de cabelo, mas pode agravar doenças do couro cabeludo, como a dermatite seborreica. Já penteados muito apertados, como rabos de cavalo e tranças tensionadas, podem provocar a alopecia tracional, caracterizada pela quebra dos fios e surgimento de áreas com menos cabelo.

A dermatologista ressalta ainda que existe uma perda considerada normal. “É esperado perder entre 100 e 150 fios de cabelo por dia. Acima disso, é importante investigar”, orientou.

Antes de qualquer tratamento, o diagnóstico correto é fundamental. “A avaliação inclui o exame do couro cabeludo e dos fios, além do levantamento dos hábitos de vida, como alimentação, prática de atividade física, qualidade do sono, nível de estresse, histórico familiar e doenças prévias”, detalhou Lígia Nasser. Os exames complementares são solicitados conforme a queixa apresentada.

O tratamento varia de acordo com a causa da queda capilar e pode envolver desde a correção de alterações metabólicas ou hormonais até terapias específicas para a alopecia androgenética, considerada a forma mais persistente. Entre as opções estão loções tópicas, medicamentos orais, aplicação de determinados tipos de luz, injeções no couro cabeludo e, em casos selecionados, o transplante capilar.

O uso de vitaminas e suplementos deve ser criterioso. “Eles não servem para todos os casos e não devem ser utilizados sem avaliação médica. Além disso, não são isentos de efeitos colaterais”, alertou a dermatologista, que desaconselha a automedicação.

O analista de garantia Leonardo Adelino, 48, percebeu a queda de cabelo aos 38 anos. “No início achei que fosse algo passageiro, mas com o tempo percebi que estava aumentando”, relatou. Atualmente, ele realiza tratamento com minoxidil e vitaminas prescritas. “Os fios estão mais fortes e a queda diminuiu bastante”, afirmou.

Diante de qualquer alteração persistente, a orientação é procurar um dermatologista para evitar agravamentos e garantir um tratamento adequado.

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