Grafite em homenagem a Pagu sofre desgaste e mobiliza plano de restauração

Por Clovis Vieira
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O grafite em homenagem à escritora sanjoanense Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, apresenta sinais evidentes de desgaste causados pela ação do tempo e pela exposição constante às intempéries. Executada entre os dias 16 e 20 de junho de 2017, a obra está localizada na lateral do prédio número 65 da rua Getúlio Vargas, na região central da cidade, ao lado do local onde Pagu nasceu.

Arte: grafite apresenta desgaste após quase oito anos de exposição ao tempo (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

O mural foi criado pelo pintor muralista brasileiro Claudio Ethos, artista de atuação internacional, a convite da empresa Pixel Love, de propriedade do empresário Eduardo Menezes. Com o passar dos anos, a pintura perdeu intensidade, sofreu descascamentos e já não tem o mesmo impacto visual observado à época de sua execução.

A durabilidade de uma arte mural exposta ao tempo varia, em média, entre dois e sete anos, podendo ser maior quando há manutenção periódica. Fatores como o preparo da superfície, a qualidade dos materiais e a aplicação de proteção final influenciam diretamente na conservação. Segundo Menezes, a obra não recebeu verniz de proteção. “Chegamos a cogitar isso na época, mas já não havia verba. Aquela parede recebe sol direto, então sabíamos que a deterioração viria mais rápido. É uma pena”, afirmou.

Questionada sobre a situação do grafite, a prefeitura informou que a restauração da obra está entre as prioridades da atual gestão do Departamento de Cultura. A pasta destacou o valor artístico e simbólico do mural para o município e confirmou que já iniciou os trâmites para viabilizar a recuperação da pintura.

De acordo com o Departamento de Cultura, o primeiro passo tem sido a tentativa de contato com o artista responsável pela execução do painel, com o auxílio do fotógrafo Léo Beraldo. A intenção é garantir que o processo de restauro preserve a fidelidade e a integridade da obra original.

Para Eduardo Menezes, a participação de Claudio Ethos na recuperação seria fundamental. “Na minha opinião, ele é um dos melhores grafiteiros que já vi. A obra dele é muito acima da média, com um traço inconfundível, temas densos e um acabamento de extremo cuidado”, avaliou.

Além da restauração do mural de Pagu, o Departamento de Cultura informou que pretende ampliar a presença da arte urbana em espaços públicos da cidade. A proposta é criar novos painéis em homenagem a personalidades que marcaram a história de São João da Boa Vista, como a pianista Guiomar Novaes, a poeta Orides Fontella e a educadora Maria Leonor Álvares e Silva. A pasta afirmou ainda estar aberta a sugestões da comunidade, tanto para temas quanto para locais que possam receber futuras intervenções artísticas.

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