Por Bruno Manson
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A Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), de Piracicaba (SP), deflagrou, na manhã desta terça-feira (13), a Operação Quebrando a Banca. A ação visa desarticular uma organização criminosa denominada Pavão de Ouro, suspeita de movimentar mais de R$ 97 milhões com a exploração de jogos de azar no interior paulista.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelas equipes do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), em São João da Boa Vista, Mogi Mirim, Santa Rosa de Viterbo, Ribeirão Preto e São Paulo. Foram apreendidos dispositivos eletrônicos, instrumentos de apostas, veículos de luxo e valores em espécie.

Conforme apurado, a operação mirou o líder da organização criminosa e ao menos outros sete integrantes, além do braço empresarial do grupo, que servia como destino para as transferências bancárias. Os suspeitos devem responder por lavagem ou ocultação de bens, associação criminosa e exploração de jogos de azar. Os nomes não foram divulgados e, até o fechamento desta edição, não havia informações sobre prisões.
INVESTIGAÇÕES
O delegado e divisionário da Deic, William Marchi, explicou que as apurações se iniciaram a partir de prisões por jogos de azar que, apesar de ser um crime de menor potencial, fomenta outros tipos de delitos considerados graves, como lavagem de dinheiro e organização criminosa. “Identificamos um número muito grande de pessoas que viviam de forma simples, mas que movimentaram milhões por mês. Elas são usadas por esses criminosos como ferramentas que ajudam a tirá-los da mira da polícia, por isso foi um trabalho extenso até chegarmos às verdadeiras lideranças. Também descobrimos empresas que auxiliavam na ocultação dos bens, então era uma verdadeira rede de lavagem de capitais que atuava tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais”, afirmou.
ATUAÇÃO
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou uma complexa rede de lavagem de capitais que operava há décadas em cidades paulistas e mineiras, usando empresas de fachada e uma rede de “laranjas” para ocultar as vantagens obtidas com a exploração de jogos de azar.
A ação policial fundamentou-se em relatórios financeiros que revelaram movimentações bancárias incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, o principal líder da organização movimentou mais de R$ 25 milhões em um semestre de 2024, além de apresentar histórico de transações milionárias em períodos anteriores.

De acordo com as investigações, a cúpula do grupo utilizava transações imobiliárias em espécie e a aquisição de ativos em nome de terceiros para dissimular a origem ilícita dos recursos. A estrutura operacional contava com gerentes e operadores financeiros que pulverizavam milhões de reais por meio de transferências via Pix e depósitos fracionados, prática conhecida como “smurfing”.
Conforme apurado, a operação também mirou um grupo empresarial de apostas, que possui capital social declarado de R$ 36 milhões e servia como destino para vultosas transferências efetuadas pela liderança.
Somando as movimentações financeiras atípicas, o capital social das empresas utilizadas, o patrimônio imobiliário oculto e a frota de veículos — estimada em cerca de R$ 18 milhões —, a Polícia Civil calcula que o montante total de ativos e valores movimentados pela organização criminosa chegue a R$ 97.295.634,27.
As investigações prosseguem em sigilo para identificar a extensão da organização criminosa.




