Por Pedro Souza
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A Cia. Blow the Diamond, conhecida como BWD, vem se destacando no cenário da dança e conquistando reconhecimento dentro e fora do país. O grupo, que nasceu em São João da Boa Vista, superou um golpe financeiro poucos dias antes de embarcar para um festival no Chile e, mesmo assim, conseguiu participar da competição e subir ao pódio com conquistas marcantes.
Atualmente, a BWD conta com 12 integrantes e realiza seus ensaios todos os sábados, das 17h às 22h, na Estação das Artes. Quando há competições, o grupo intensifica os treinos com horários extras.

Voltada principalmente para o K-pop, a companhia também desenvolve coreografias autorais que exploram estilos como danças urbanas, contemporâneo, hip-hop e jazz. Totalmente independente, a BWD se mantém com a própria força de vontade e criatividade.
“Nossa renda vem das vendas de brigadeiros gourmet, além de rifas e outras ações que realizamos para custear figurinos e viagens”, contou Natasha Gabriely Bernardo Faria, a NaNa, dançarina do grupo há quatro anos.
INÍCIO E CONQUISTAS
A história da BWD começou em 2017, como uma dupla, e depois se transformou em um quarteto. “Foram várias tentativas, mas ninguém queria levar muito a sério, exceto a Vitória, que é fundadora e líder até hoje”, lembrou Natasha. Na fase inicial, o grupo se chamava Little Stars, nome que refletia a leveza e o brilho da dança.
“Queríamos algo que mantivesse essa ideia de brilho, mas com mais força. Pensamos em diamante, mas o nome parecia infantil. Então surgiu Blow the Diamond, que significa explosão de diamante. Era exatamente o que queríamos transmitir”, explicou.
Na primeira competição, no Aguaí Fest Dance, o grupo foi campeão na categoria K-pop, o que serviu de impulso para encarar a dança de forma profissional.
Com o passar dos anos, a BWD ampliou o grupo e levou seu brilho para outras cidades como Casa Branca, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Poços de Caldas (MG), Varginha (MG) e Boa Esperança (MG). Além das competições, o grupo também se destacou pela realização de eventos próprios. Entre eles, o “K-Move, Encontro de K-Popers”, e o projeto “Setembro Amarelo — BWD pela Vida”, que já chegou à quinta edição. Outro destaque foi o musical “BWD dançando Divertidamente”, que encantou o público de São João.
A trajetória de sucesso levou o grupo a importantes competições internacionais. Em 2022, a BWD conquistou o 2º lugar no Sul-Americano na Argentina, e em 2023, o 3º lugar no Fidifest, uma das maiores competições do mundo, em Santos (SP). No ano seguinte, o grupo voltou ao Sul-Americano, em Capão da Canoa (RS), e conquistou o 1º lugar nas categorias K-Pop e Estilo Livre, garantindo vaga no festival de dança no Chile, realizado em Santiago.
O GOLPE
A viagem ao Chile custaria cerca de R$ 30 mil, valor arrecadado com muito esforço em ações solidárias. Mas, uma semana antes da partida, veio o golpe. “Descobrimos que a agência Rota Turismo havia sumido com nosso dinheiro. Foi desesperador. Sentimos o chão se abrir”, relembrou.
Quem percebeu o problema foi Welson, pai da líder Vitória e professor de expressão corporal. “Ele contou para a Vitória, que reuniu o grupo para dar a notícia. Choramos muito, achando que tudo tinha acabado. Mas a V.I.TY, como chamamos nossa líder, nos abraçou, nos acalmou e disse que ainda dava tempo de lutar”, contou.
O grupo então se mobilizou. Em três dias, arrecadaram R$ 8 mil em doações e conseguiram comprar novas passagens com ajuda de um verdadeiro ‘anjo’, o Rafael, de uma outra agência de turismo de São João, que se empenhou em resolver o problema. “Ele foi essencial, trabalhou com a gente o tempo todo e conseguiu viabilizar tudo, até o hotel”, disse.
“Corremos atrás de tudo de novo, fizemos vaquinhas, vendemos doces sob o sol e a chuva, pedimos ajuda. Dois dançarinos e um pai ainda fizeram empréstimos e usaram cartões de crédito. Foi um esforço coletivo inacreditável, mas conseguimos”, completou.
A RECOMPENSA
Com o apoio da comunidade e a garra dos integrantes, a BWD embarcou rumo ao Chile em outubro e viveu dias inesquecíveis. “Competimos com grupos de vários países e conquistamos o 2º e o 3º lugares no estilo K-pop. Mais do que isso, levamos nossa essência e mostramos que a fé e a união superam qualquer obstáculo”, afirmou Natasha.
A experiência neste festival marcou todos. “Foram dias de muita emoção. Dançamos, exploramos lugares lindos e percebemos o quanto crescemos como grupo e como pessoas. Essa viagem representou um sonho realizado com amor, suor e esperança”, disse.
PRÓXIMOS PASSO
A BWD segue com uma agenda intensa de apresentações. O grupo participará da Parada de Natal, da abertura do espetáculo “Esperança e Vida” no teatro da Cidade das Artes, do KDay em Poços de Caldas e do Festival Andradance, em Andradas.
“Cada evento é uma oportunidade de mostrar que vale a pena acreditar. O que vivemos no Chile nos provou que nada é impossível quando se dança com o coração”, concluiu.




