Uso de notas antigas do Enem preocupa alunos do 3º ano

Por Ana Paula Fortes
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O Ministério da Educação (MEC) anunciou uma mudança significativa no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A partir da edição de 2026, os candidatos poderão concorrer às vagas em universidades públicas utilizando o resultado das três últimas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Enem: cerca de 4,8 milhões de estudantes estão inscritos no exame nacional (Arquivo/Agência Brasil)

De acordo com o MEC, será possível escolher a nota que oferecer a melhor média ponderada para o curso desejado, desde que o participante não tenha sido treineiro. Com isso, no Sisu 2026, serão aceitos os resultados obtidos nas edições de 2023, 2024 e 2025 do Enem.

A pasta afirma que a medida tem como objetivo ampliar as oportunidades de ingresso e aumentar o preenchimento das vagas ofertadas. Em 2024, o Sisu disponibilizou 264 mil vagas em instituições públicas de ensino superior, mas cerca de 23 mil delas não receberam nenhum candidato na primeira chamada. Entre essas, aproximadamente 40% correspondiam a cursos de Licenciatura.

O Enem 2024, que serve de base para o processo seletivo do Sisu, será aplicado nos dois próximos domingos, dias 9 e 16 de novembro. Nesta edição, 4,8 milhões de estudantes estão inscritos, sendo 1,8 milhão deles matriculados no terceiro ano do ensino médio.

Um abaixo-assinado no site Change.org já conta com mais de 27 mil assinaturas contra a medida. Segundo a criadora da petição, Ana Amélia Lima, o uso das notas dos três últimos anos, abre espaço para que pessoas com mais recursos tenham maior vantagem.

Para Ana Lívia Barbosa, aluna do terceiro ano, a nova regra prejudica quem irá concorrer pela primeira vez. “Não é justo que candidatos que tentaram por três anos seguidos, tenham sua melhor nota escolhida e concorram com quem fará a prova pela primeira vez”.

Para o MEC, permitir o uso das notas de diferentes edições é uma forma de dar mais flexibilidade aos candidatos e aproveitar melhor o potencial do exame como porta de entrada para o ensino superior. A expectativa é que a mudança contribua para reduzir o número de vagas ociosas e estimular o acesso à universidade.

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