Agência de turismo é investigada por lesar mais de 200 clientes

Por Bruno Manson
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A Polícia Civil investiga a agência Rota Turismo pela suspeita de crime de estelionato. A empresa vendia pacotes de viagens, porém, não cumpriu suas obrigações com os clientes, decretou falência e não realizou o reembolso dos serviços contratados. As agentes de viagem Michele Cunha de Carvalho e Karen Gomes Ribeiro, sócias responsáveis pela firma, estão sendo procuradas pela equipe de investigação. Extraoficialmente, estima-se que mais de 200 pessoas tenham sido lesadas.

Polícia Civil: três inquéritos policiais foram instaurados para averiguar a atuação da agência Rota Turismo; estima-se que mais de 200 pessoas tenham sido lesadas (Reprodução/Google Street View)

Em um dos casos que o jornal O MUNICIPIO tomou conhecimento, a vítima comprou dois pacotes de viagem totalizando R$ 7.880. O primeiro pacote foi adquirido em maio, com destino à Colômbia e custou R$ 5.280, sendo pago por meio de boletos bancários, em oito prestações de R$ 660. Já o segundo roteiro era para o Balneário de Camboriú, em Santa Catarina, e foi comprado em setembro. Na ocasião, a cliente pagou R$ 2.600 via Pix. Ambos os pagamentos foram feitos à OPR Turismo e Viagens Eireli – que é a razão social da Rota Turismo. Todas as negociações foram feitas por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

Em outro caso semelhante, a vítima comprou um pacote de viagem para a Colômbia em maio pelo valor de R$ 4.980. O pagamento foi feito via boletos, em oito parcelas de R$ 622,50, para a OPR Turismo e Viagens Eireli. Na época, a compra foi negociada pessoalmente com a responsável pela agência.

FALÊNCIA

A notícia da falência da Rota Turismo ocorreu nesta semana e pegou a todos de surpresa. O comunicado foi feito em um grupo de WhatsApp – com mais de 180 clientes –, onde a empresa informou o encerramento das atividades. “A Rota Turismo comunica, com profundo pesar, o encerramento definitivo de suas atividades. Enfrentamos nos últimos tempos uma grave crise financeira, agravada por fatores que ultrapassaram nossa capacidade de controle e resposta. Após tentativas de reestruturação e negociação, chegamos ao ponto em que não é mais possível manter as operações da empresa em funcionamento, o que nos leva a reconhecer a falência operacional da Rota Turismo”, citou a agência. “Infelizmente, não há condições financeiras para realizar reembolsos dos serviços contratados e não prestados. A empresa, neste momento, não possui recursos ou ativos disponíveis para cobrir compromissos pendentes. Estamos cientes dos transtornos que esta situação pode causar e lamentamos profundamente os impactos para todos que confiaram em nosso trabalho ao longo dos anos”, finaliza a mensagem.

PARADEIRO DESCONHECIDO

Conforme apurado, desde que a falência da empresa foi anunciada, Michele e Karen não foram mais encontradas. Há rumores até de que teriam viajado para o exterior, porém, não há nada confirmado. A Polícia Civil já tem três inquéritos instaurados sobre o caso e apura o paradeiro das responsáveis pela empresa. “A investigação está em fase embrionária. As pessoas estão registrando os boletins de ocorrência e nós estamos tentando dar uma celeridade ao caso. Já há uma equipe de investigação atuando, visando localizar essas pessoas que seriam as proprietárias dessa agência de turismo”, afirmou o delegado Fabiano Antunes de Almeida.

ORIENTAÇÕES

Diante deste caso, a Polícia Civil orienta os clientes da Rota Turismo para que busquem individualmente o ressarcimento dos valores perante os meios necessários. Ainda de acordo com o delegado, aqueles que adquiriram algum pacote de viagem por meio de cartão de crédito, devem fazer o bloqueio da compra para evitar um prejuízo maior. “Quem já pagou, infelizmente, tem que buscar o ressarcimento via ação judicial de danos materiais e danos morais junto ao Poder Judiciário”, comentou. “Nós estamos trabalhando. São muitas vítimas”, destacou.

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