Por Clovis Vieira
[email protected]
Muitos professores podem inspirar os alunos a seguirem carreira na área da educação. Estimulando o pensamento crítico e despertando o potencial individual do estudante, eles vão além do currículo, ensinando habilidades para a vida, promovendo o engajamento cívico e atuando como agentes de transformação social ao formar cidadãos conscientes, críticos e empáticos.
É grande o número de alunos que se tornaram professores, inspirados pelas atividades presenciadas em sala de aula. “No meu ensino médio, eu tive professores, sobretudo de Ciências Humanas, Geografia e História, que foram grandes referências para mim; referência moral, pessoal e intelectual. Então, eu queria ser como aquelas pessoas”, afirmou Rafael Ferrari Ananias, 37, professor de Geografia há 11 anos; ele atua na rede estadual de ensino.
Entre os mestres inspiradores, ele cita Marcos Silva, Marlene Colabardini, ambos de Geografia; Rosa Serrano e Carmen Lia, de História, e Marli Marques, de Literatura, entre outros igualmente importantes para sua formação.

CONFLITOS
No entanto, com todas as ‘certezas’ surgidas na mente do aluno nas salas de aula, podem acontecer surpresas com o choque da realidade, quando ele próprio enfrenta uma classe só sua. “Por mais que os cursos de licenciatura estejam evoluindo na questão pedagógica, oferecendo maior e melhor formação ao professor, esse conteúdo ainda está muito distante da realidade que se enfrenta na rede pública”. Essa afirmação se refere àquela parte da clientela que se encontra num “contexto de fragilidade socioeconômica, que convivem num lar abusivo sofrendo violência, entre outros problemas”.
O professor avalia que, em certos aspectos, a parte teórica do aprendizado do docente não contempla essa realidade citada. Ele descobriu, no ofício de ensinar, que “o professor não está em sala de aula apenas para aplicar o conteúdo de sua disciplina”. De acordo com Ananias, hoje é preciso acolher o aluno, ouvir suas queixas, gerenciar conflitos como brigas em casa, falta de alimentos no dia a dia. “É como se tudo isso junto se tornasse uma ‘bomba-relógio’, o que exige do mestre sensibilidade para gerir isso tudo e usar de toda empatia com os jovens”.
MOTIVADORES
Pesquisa recente, publicada no site Correio Braziliense, revelou que entre os três principais bons exemplos aprendidos em sala de aula com os professores, estão: disciplina e organização (42%), empatia em relação aos outros (40,4%) e pensamento crítico (38,4%). Profissionalmente, para cinco em cada dez entrevistados, a maior lição deixada pelos educadores está relacionada à aprendizagem contínua, que lidera entre os maiores ensinamentos, ao lado da importância do trabalho em equipe (44,4%).

MAIS QUE PROFESSOR
Generoso e atento a sua clientela, Rafael Ananias pondera que “os alunos da rede pública de ensino precisam muito mais de nós, professores, de nós, sociedade, do que os da rede particular”, em face das dificuldades e conflitos que aqueles enfrentam. E aponta que é exatamente isso o que o motiva a sempre estar presente, sendo mais que um transmissor de conhecimentos, mas abrigando suas inseguranças, propondo caminhos a serem trilhados e iluminando pontos escuros de sua vida, enquanto alunos.




