Pressão estética e cirurgias plásticas precoces

Por Ana Paula Fortes
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O Brasil é o segundo país do mundo em número de cirurgias plásticas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Somente nos últimos dez anos, houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Entre lipoaspirações, implantes de mama, rinoplastias, harmonizações faciais e o uso crescente de botox e preenchimentos, a procura por procedimentos estéticos tem começado cada vez mais cedo. Essa tendência preocupa especialistas, que veem nos jovens uma combinação perigosa de insegurança, pressão social e pouca consciência sobre os riscos que envolvem tais intervenções.

Cada tipo de cirurgia tem um tempo que deve ser respeitado. A idade ideal para a realização de um procedimento cirúrgico estético varia de acordo com inúmeros fatores. A otoplastia, por exemplo, é indicada a partir dos 7 anos e uma rinoplastia a partir dos 16.

Cirurgia: a procura por procedimentos estéticos tem começado cada vez mais cedo (Divulgação/Getty Images)

RISCOS PARA JOVENS

Entre adolescentes, os casos que justificam intervenção cirúrgica são restritos. Os especialistas citam exemplos como a correção da “orelha de abano”, que pode causar constrangimento social, ou situações de hipertrofia mamária em meninas, que prejudicam a postura e o bem-estar físico. No entanto, alertam que muitas vezes a cirurgia tem sido buscada por motivos estéticos passageiros.

Nem mesmo os tratamentos dermatológicos escapam do uso inadequado, como o perigo para o uso precoce de ácidos e produtos fortes entre as adolescentes que acabam sendo influenciadas pelas redes sociais, sem nenhuma cautela ou orientação profissional.

De acordo com o cirurgião José Horácio Aboudib, presidente da SBCP, não existe uma norma que defina qual a idade mínima para se submeter à cirurgia plástica. “Não há idade mínima, cada caso tem de ser avaliado separadamente. A idade não é o mais importante. O mais importante é avaliar a evolução física do paciente”, explicou.

As opiniões dos jovens se dividem entre o desejo de mudar e o reconhecimento dos riscos. Maria Eduarda Sacardi Ventura, 18, admite que sonha em realizar cirurgias estéticas. “Queria mudar umas coisas no meu corpo para me sentir melhor comigo mesma. Acho que os adolescentes buscam muito rinoplastia, lipo, silicone e até harmonização facial. As redes sociais influenciam demais. Parece que, se a gente não tiver o mesmo padrão, não é suficiente”.

Ela reconhece, no entanto, que muitos não avaliam as consequências. “A maioria só pensa no resultado, no bonito, mas esquece que é uma cirurgia. Tem risco, dor e pode até não ficar como esperado”. Para Maria Eduarda, a pressão estética hoje é maior que no passado. “Antes a comparação era só com os colegas, agora é com o mundo inteiro. Acho perigoso fazer cirurgias sem esperar o corpo terminar de se desenvolver. Mas entendo quem se sente muito inseguro”, afirmou.

A estudante defende regras mais rígidas e acompanhamento psicológico antes de procedimentos em adolescentes. “A gente pode se arrepender. Pelo menos deveria ter orientação. Eu diria para quem pensa em operar que é importante ter certeza de que é um desejo verdadeiro, não algo só porque está na moda”.

Já Letícia Barrado Delmiro, 19, nunca pensou em operar, mas observa de perto a pressão entre colegas. “Hoje a cobrança é muito maior por causa da internet. Os adolescentes querem se encaixar nos padrões digitais. Mas eles não entendem os riscos de uma cirurgia plástica e acabam querendo crescer antes do tempo”.

Para ela, amigos, familiares e principalmente influenciadores digitais têm impacto direto na decisão de se submeter a uma cirurgia. “Influencia 100%. Se alguém próximo apoia, a pessoa se anima. E se os influenciadores fazem, os adolescentes querem copiar. Eu diria para outros jovens não se compararem, porque o que se vê nas redes sociais nem sempre é real”, alertou.

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