Por Ana Paula Fortes
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O Brasil dará um passo importante na prevenção de doenças respiratórias graves em crianças. A partir de novembro, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) – responsável por 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em menores de dois anos – começará a ser distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão acontece em um momento crítico: em 2025, os casos de VSR em bebês tiveram aumento de 52%, segundo boletim da Fiocruz. Até a primeira quizena de setembro, foram registrados 33.485 diagnósticos em crianças de até dois anos, contra 22.046 no mesmo período de 2024.

SITUAÇÃO EM SÃO JOÃO
De acordo com a chefe da Vigilância Epidemiológica do município, Ludimila Borato Barros Zan, neste ano foram confirmados 19 casos de VSR em crianças menores de um ano e nove casos em crianças entre um e quatro anos. A cidade também registrou um óbito de bebê menor de um ano em decorrência da infecção. “Tivemos também outro falecimento de bebê por bronquiolite, mas a doença não foi ocasionada por este vírus”, explicou.
Ludimila destaca que ainda não há previsão exata de quando o imunizante estará disponível localmente. “Não é possível garantir que teremos a vacina na segunda quinzena de novembro, já que a distribuição é de responsabilidade do Governo Federal e do Estado. Aguardamos novas informações do Ministério da Saúde sobre o cronograma de envio”.
A expectativa, segundo ela, é de que a adesão seja ampla. “Esperamos boa adesão das gestantes assim que a vacina estiver disponível e que isso reduza significativamente o número de internações por bronquiolite em crianças menores de um ano”.
IMPACTO DO VÍRUS
O VSR preocupa porque pode provocar complicações sérias, principalmente em recém-nascidos e prematuros. Só entre 2018 e 2024, ele levou a 83 mil internações de bebês prematuros no país. A cada cinco crianças infectadas, uma precisa de atendimento médico e, em média, uma em cada 50 é hospitalizada no primeiro ano de vida.
De acordo com a pediatra, alergista e imunologista Cláudia Camargo de Carvalho Vormittag, os sintomas iniciais podem se confundir com um resfriado comum, mas exigem atenção. “No começo, parece coriza e tosse leves. Porém, alguns bebês evoluem para sinais graves, como respiração difícil, chiado no peito e dificuldade para mamar. Em prematuros, pode até haver pausas na respiração”, explicou.
A IMPORTÂNCIA DA VACINA
O imunizante será aplicado em gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia garante uma proteção dupla, já que a mãe fica imunizada e transmite anticorpos ao bebê ainda na gestação, protegendo-o nos primeiros meses de vida.
“É um grande avanço porque democratiza o acesso. Muitas famílias não teriam condições de pagar pela vacina na rede privada, que pode custar até R$ 3.680 para bebês. No SUS, essa barreira desaparece”, ressaltou Vormittag.
O Ministério da Saúde informou que, em novembro, 832,5 mil doses já serão enviadas a estados e municípios. Até dezembro, mais um milhão chegará às unidades do SUS.
Mesmo com a vacina, medidas simples seguem fundamentais, como: lavar bem as mãos e higienizar brinquedos; evitar contato com pessoas gripadas; manter ambientes ventilados; incentivar o aleitamento materno e não expor bebês à fumaça de cigarro.




