Por Clovis Vieira
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Com o Theatro Municipal completamente lotado, foi oficialmente aberta a 48ª Semana Guiomar Novaes, na sexta-feira (12). O evento é uma correalização da Prefeitura de São João, da Associação Paulista dos Amigos da Arte (Apaa) e Governo do Estado de São Paulo. No palco, discursaram o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (PSD); o presidente da Câmara Municipal, Luís Carlos Domiciano ‘Bira’ (MDB); Gláucio Franca, diretor-geral da Apaa, e a secretária da Cultura do Estado, Marilia Marton. Também esteve presente a diretora de Cultura de São João, Lucelena Maia. A Semana acontece desde 1977, em homenagem à pianista nascida em São João, conhecida em todo o mundo.

Na plateia, todos os 740 lugares foram ocupados, com um público atento e ávido pela apresentação de Renato Teixeira, artista escolhido para abrir a programação artística e cultural da Semana. Este ano, mais de 40 atrações foram disponibilizadas aos amantes das Artes e da Cultura, vindos também de inúmeras cidades da região.
Mesmo após iniciado o show do cantor, em frente ao Theatro uma pequena multidão amargou a frustração de não contar com poltronas disponíveis para ver o show ao vivo, ansiando por ver num telão – que não foi instalado – o que estava ocorrendo no palco. Algumas pessoas mais exaltadas gritavam palavras de ordem.
Já no sábado (13), a atriz, diretora de teatro e coreógrafa brasileira Clarice Abujamra subiu ao palco do teatro da Estação das Artes, para entregar ao público um show intimista. O MUNICIPIO acompanhou de perto e realizou uma entrevista exclusiva com ela, que será publicada na edição da próxima quarta-feira (24).
EVENTO PLURAL
A secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, Marília Marton, esteve em São João na abertura da 48ª Semana Guiomar Novaes. Durante sua fala ao público, destacou que a realização de um evento desse porte em uma cidade do interior é algo notável. “Ter um evento numa cidade do interior do Estado de São Paulo, com uma semana de duração e diversas linguagens artísticas, completando quase meio século de existência, por si só é incrível. Ter em São João da Boa Vista uma personagem como Guiomar Novaes, icônica não só para a cidade, mas para a história do País, é um evento de resgate de memória, de formação de público e de difusão de novos talentos. Fica claro que tudo isso reunido é o que o País precisa, é necessário e a sociedade merece”, afirmou.
Marília também ressaltou a responsabilidade que acompanha a organização de uma programação tão ampla. Segundo ela, um grande evento envolve preocupações que vão além do espetáculo em si. “Será que vai ser um sucesso? Será que teremos algum incidente? O público terá boas experiências? Hoje, um evento é muito mais do que o evento em si. As pessoas precisam vir, espera-se que gostem, que sejam bem recebidas e que tenham a sensação de acolhimento. Tudo isso compõe as preocupações que temos quando realizamos um evento tão grande e tão plural como é a Semana Guiomar Novaes”, completou a secretária.
ENTREVISTA
Nascido em Santos (SP), em 1945, Renato Teixeira é compositor, cantor e músico. Autor de conhecidas canções, como Romaria, sucesso na gravação de Elis Regina, em 1977, Tocando em Frente, em parceria com Almir Sater, gravada também por Maria Bethânia e Frete, tema de abertura do seriado Carga Pesada, da Rede Globo.
O MUNICIPIO: Sua música faz sucesso em todo o Brasil. A alma brasileira é caipira?
RENATO TEIXEIRA: Também! É caipira, é sertaneja, é urbana, é caiçara. O Brasil é um composto de regiões culturais muito interessante, que têm a ver com o clima, com a geografia; o Brasil é um país múltiplo.
O MUNICIPIO: É isso o que o senhor leva em consideração no momento de compor sua música?
RENATO TEIXEIRA: Eu penso que, para compor, é preciso ter um compromisso consigo mesmo e procurar fazer o melhor possível. É isso o que eu faço, procurando ser o mais brasileiro possível! E conhecendo as músicas: eu conheço a música gaúcha, a baiana, a paraense, a amazônica. É preciso conhecer tudo e se deixar levar.
O MUNICIPIO: Como as pequenas cidades – por vezes muito religiosas – por onde você se apresenta reagem a sua música, principalmente à Romaria?
RENATO TEIXEIRA: Romaria é uma canção que fala do romeiro, do brasileiro que consagrou Nossa Senhora da Aparecida como sua padroeira. Então, tudo se encaixa: ela fala do romeiro chegando àquela cidade, fala um pouco dele, de suas ansiedades, da realidade do romeiro brasileiro, em grande parte formada por pessoas muito simples. Tudo ‘casa’. Mas no final, o que determina tudo é ela [Nossa Senhora da Aparecida], porque ela é um símbolo brasileiro muito eficiente e muito positivo, que traz soluções para muitos problemas.
O MUNICIPIO: Você está se apresentando num teatro que tem 111 anos de idade. Qual é a sensação de estar aqui neste momento?
RENATO TEIXEIRA: É maravilhoso poder compartilhar disso, de uma história dessa, onde tanta gente boa já passou por aqui. E quando você vai para o palco, faz o seu trabalho e sai… você sai, mas o resto fica. Este Theatro está repleto de atuações, de interpretações, de sonhos. Essa á a beleza do teatro, um lugar onde o ser humano se realiza, onde ele sonha.
O MUNICIPIO: O senhor completou 80 anos de vida este ano; já pensou em aposentar?
RENATO TEIXEIRA: Não, não existe aposentadoria quando se é um músico. A não ser quando o tempo te vence e as pernas começam a fraquejar, os ânimos desaparecem. Eu fiz 80 anos este ano e o meu lema é: em algum lugar do meu coração eu vou ter sempre 20 anos! Vamos ver até aonde eu chego.




