Setembro Amarelo terá dois dias de arte, música e reflexão no Theatro

Por Ana Paula Fortes
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O Theatro Municipal de São João da Boa Vista será palco do 5º Setembro Amarelo — BWD pela Vida, evento cultural e de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. A programação acontece sábado e domingo (dias 6 e 7), a partir das 18h45, e promete reunir quase 300 artistas em apresentações gratuitas de dança, música e teatro, além de palestras com psicólogas convidadas.

Oportunidade: o evento BWD pela Vida reunirá 300 artistas em apresentações gratuitas no fim de semana (Divulgação/Paula Aparecida Cruz)

Realizada pela Cia. Blow the Diamond, a iniciativa integra o movimento nacional do Setembro Amarelo, que busca chamar a atenção para a importância da saúde mental e da valorização da vida.

O evento reunirá diferentes estilos artísticos: do balé, jazz, contemporâneo e dança urbana a ritmos como samba de gafieira, forró, hip hop e K-pop. Também sobem ao palco cantores e bandas de gêneros variados, entre eles sertanejo, MPB, gospel e rock.

No sábado (6), serão 160 artistas dividindo o palco. Já no domingo (7), o público poderá assistir às apresentações de 130 artistas. Em ambos os dias, psicólogas abrirão espaço para reflexões sobre saúde mental: Júlia Los Angeles no sábado e Jacqueline Ribeiro Lucas no domingo.

REFLEXÕES COM ESPECIALISTAS

A psicóloga Renata Melo acredita que o Setembro Amarelo é uma ótima oportunidade de quebrar tabus. “A campanha visa conscientizar da importância da prevenção do suicídio e quebrar barreiras. Mas não basta falar apenas em setembro, é necessário trazer o tema para o cotidiano e torná-lo de entendimento geral”, disse.

Ela destacou que fatores como desesperança, frustrações sociais e pressão por resultados são gatilhos comuns. “A competitividade insana, onde nunca se chega no ideal de vida, provoca frustração, e isso, aliado a fatores biopsicossociais, pode desencadear ideação suicida”, explicou.

Renata também reforçou a importância do apoio próximo. “A família e os amigos podem oferecer ajuda com empatia e paciência, sem julgamentos. Compreensão é essencial para que a pessoa em sofrimento psíquico não se sinta sozinha”, destacou.

E fez um alerta sobre os sinais: “Mudanças bruscas de comportamento, isolamento e verbalizações de desesperança precisam ser levadas a sério. A ideação é o estágio do pensamento, já a tentativa é a execução, por isso, perceber precocemente é fundamental”.

Já o psicólogo Danilo Ciconi, da Universidade de São Paulo (USP), chamou atenção para os limites do modelo campanhista. “Informação é necessária, mas não suficiente. Não podemos discutir suicídio apenas como um problema individual. É preciso olhar para o contexto social, estrutural e institucional que também gera sofrimento. Uma palestra isolada não previne suicídio em uma organização. É necessário que escolas, empresas e comunidades construam protocolos claros de acolhimento e cuidado com a saúde mental”, alertou.

Danilo ainda destacou a importância da validação das emoções. “Não é sobre dar conselhos motivacionais ou minimizar a dor. É sobre escutar e acolher. Quando o outro percebe que sua dor é legítima, sente-se mais seguro para buscar ajuda”, afirmou.

Para ele, estratégias eficazes envolvem desenvolvimento de habilidades de regulação emocional, resolução de problemas e apoio multiprofissional. Além disso, o psicólogo defende a valorização de práticas coletivas: “Participar de grupos, cultivar hobbies e produzir arte são formas poderosas de fortalecer o senso de pertencimento e reduzir o sofrimento”, considerou.

ENTRADA GRATUITA

Com acesso 100% gratuito, o evento é uma oportunidade para que a população prestigie artistas locais e regionais, ao mesmo tempo em que participa de uma campanha que reforça a importância de falar sobre saúde mental, acolhimento e valorização da vida.

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