Moradores do Parque Jequitibás, em São João da Boa Vista, tem enfrentado problema de infestação de escorpiões pelo bairro. De acordo com eles, até mesmo um abaixo-assinado pedindo solução foi feito e encaminhado para a Prefeitura de São João. Entretanto, a situação persiste e causa preocupação para os habitantes do local.
Maurício Luís Silva, um dos moradores do bairro, entrou em contato com O MUNICIPIO e relatou a situação que classificou como alarmante para todos os habitantes do Parque Jequitibás, principalmente as crianças.
“Já fizemos abaixo-assinado para a prefeitura e para a Sabesp. O máximo que fizeram foi passar distribuindo folhetos de orientação. Mas só manter terrenos limpos não é o suficiente, no caso de os escorpiões se espalharem bueiros adentro. É frequente encontrarmos escorpiões e isso é muito perigoso, pois qualquer um está sujeito a ser picado por um deles”, revelou o morador.
TERRENO
Ainda em relação à limpeza de terrenos, alguns moradores apontam que um pertencente à prefeitura tem causado um dos maiores problemas.
Segundo eles, reclamações tem sido feitas à administração municipal, que parou de fazer manutenção há alguns meses e agravou a situação.
“Não aparece mais ninguém para limpar, a gente cobra, mas não temos um retorno de quem limpa e de quem é o dono do local. Usa-se a desculpa de que é uma área de preservação ambiental, mas a gente sabe que não, deveria ser limpa essa área”, reclamou Carlos Alberto Krause, também morador do Jequitibás.
PREFEITURA
Em reunião realizada no final da última semana entre o chefe de Gabinete, José Carlos Dória, o administrador do Cemitério, Carlos Ignácio, o diretor de Saúde, Lúcio Doval, o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses, Marcelo Menato, e o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB), ficou decidido que, nos próximos 30 dias, o CCZ, em conjunto com o Departamento de Meio Ambiente, promoverá capacitação de agentes para captura de escorpiões.
Estes profissionais serão designados para um trabalho específico no Cemitério Municipal São João Baptista, e em regiões da cidade cujo aparecimento de escorpiões tem aumentado.
RISCOS E ACIDENTES
A bióloga e educadora ambiental Camila de Oliveira foi procurada pela reportagem para falar sobre os riscos que a picada do escorpião pode levar ao ser humano. Segundo ela, a dor local, que ocorre em todos os pacientes, é de intensidade variável, até insuportável, sendo o motivo da busca rápida de atendimento médico.
“Alguns pacientes, principalmente crianças podem apresentar manifestações graves, incluindo alterações respiratórias e nos batimentos cardíacos, necessitando de tratamento”, alertou.
Em caso de acidentes, Camila recomenda que a vítima da picada faça compressas mornas e utilizar analgésicos para aliviar a dor. Ela destaca ainda a importância de procurar um serviço de saúde para avaliação da necessidade ou não do uso do soro.
A bióloga explica também que no Brasil existem cerca de 160 espécies de escorpiões, sendo que as responsáveis pelos acidentes graves pertencem ao gênero Tityus, que tem como característica, entre outras, a presença de um espinho sob o ferrão.
As principais espécies de causar acidentes graves são a Tityus serrulatatus, conhecido como escorpião amarelo, e a Tityus bahiensis, popularmente chamado de escorpião marrom. Ambos são os principais encontrados na região de São João.




