Por Clovis Vieira
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Oftalmologistas chamam a atenção para os perigos do acúmulo de gordura no sangue: o colesterol, geralmente associado a doenças cardiovasculares. Mas o que pouca gente sabe é que o colesterol alto também pode afetar diretamente os olhos, provocando alterações visíveis nas pálpebras e silenciosas dentro da retina. Aquela pequena mancha amarelada próxima ao canto dos olhos, que parece inofensiva e que muita gente trata apenas como uma questão estética, pode ser mais do que isso.

“O xantelasma é um acúmulo de gordura e colesterol sob a pele, que aparece nas pálpebras e deve servir como um alerta”, explicou a oftalmologista Cristiane Okazaki, gestora da especialidade de plástica ocular do Hospital de Olhos da Vision One. Embora muitas vezes indolor e discreto, ele pode estar apontando para um colesterol descontrolado, mesmo quando os exames parecem normais. Daí, a importância de consultas periódicas, principalmente se houver histórico de colesterol alto familiar.
ALTERAÇÕES
No entanto, de acordo com a médica, além do xantelasma outras alterações podem aparecer dentro do olho, sem que o paciente perceba de imediato. “O colesterol alto pode provocar oclusões vasculares na retina, que são bloqueios nos vasos por placas de gordura e podem causar perda súbita da visão. Também pode gerar exsudatos, que são depósitos amarelos que indicam vazamento dos vasos e aparecem em doenças como retinopatia hipertensiva ou diabética”.
Os exsudatos são um sinal de que algo não vai bem nos vasos da retina: eles se formam quando o colesterol alto danifica as paredes dos vasos sanguíneos, facilitando o extravasamento de lipídios e proteínas. “Isso causa edema e pode comprometer a visão se não for tratado”. A retina, que funciona como um filme sensível à luz dentro dos olhos, é altamente vascularizada; por isso, qualquer alteração no sangue pode afetá-la diretamente.
SOLUÇÕES
Com relação às doenças cardiovasculares, a chegada do envelhecimento aumenta essa preocupação incluindo perda de massa muscular, imunidade e qualidade de vida. “Mas é possível agir antes, adotando bons hábitos e fazendo escolhas alimentares mais equilibradas”, afirmou Gisele Pavin, diretora de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé Brasil. A seguir, a especialista relaciona alguns passos fundamentais para esse cuidado.
Não vilanizar alimentos isolados: o colesterol é influenciado pelo padrão alimentar como um todo. Excluir alimentos como o ovo, por exemplo, pode ser desnecessário. “Na maioria dos casos, o mais importante é avaliar o conjunto da dieta, em vez de condenar um único item do cardápio”, explicou Gisele.
Saiba diferenciar as gorduras: nem toda gordura faz mal. As mono e poli-insaturadas, presentes em alimentos como azeite de oliva, abacate e oleaginosas, ajudam a reduzir o LDL (“colesterol ruim”) e aumentar o HDL (“colesterol bom”). Ter níveis altos de HDL é protetor, pois ele remove o excesso de colesterol das células. Já o excesso de LDL pode levar à formação de placas que vão estreitando o canal por onde passa o sangue, provocando possíveis entupimentos. “É fundamental que as pessoas compreendam essa diferença e busquem acompanhamento profissional para avaliar seu perfil lipídico de forma completa”, orientou Gisele.
Consuma fibras solúveis com regularidade: A fibra chamada beta-glucana, encontrada naturalmente em cereais como a aveia, ajuda a reduzir o colesterol ao formar um gel no intestino que inibe sua absorção. Ela deve ser consumida dentro de uma alimentação equilibrada e com baixo teor de gorduras saturadas, comuns em carnes gordurosas, laticínios integrais e alguns óleos vegetais.




