Por Pedro Souza
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As recentes mortes de pacientes, incluindo dois bebês com diagnóstico de bronquiolite, colocaram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João da Boa Vista sob forte questionamento popular. A comoção nas redes sociais e o aumento de denúncias nas últimas semanas intensificaram a desconfiança da população quanto à qualidade da saúde pública no município, especialmente após a entrada do Instituto Nacional de Gestão para Excelência em Saúde (Ingex Saúde), que assumiu a administração do sistema no dia 1º de março.

A superlotação da UPA, as falhas relatadas no atendimento e a sensação de insegurança entre os usuários aumentaram as cobranças. Diante disso, O MUNICIPIO conversou com o diretor da unidade, o médico Farid Farrage Abd El Fatah, que falou sobre os problemas enfrentados, as ações emergenciais adotadas e os planos para reestruturar o serviço.
ENTREVISTA
O MUNICIPIO: Uma das principais queixas da comunidade tem sido a superlotação. Na sua visão, quais são as causas desse problema? E o que pode ser feito para aliviar essa pressão sobre o atendimento?
FARID: Nesses últimos meses tivemos um aumento do volume de atendimentos devido aos casos de dengue, mas esse perfil de atendimento tende a diminuir nos próximos meses. Agora, estamos organizando tudo tanto assistencialmente como estruturalmente, para as demandas respiratórias.
O MUNICIPIO: O número de atendimentos costuma crescer muito nesta época do ano, por conta das doenças respiratórias. Como a equipe da UPA tem se preparado para esse período crítico?
FARID: Buscando parcerias como a que estabelecemos com o UniFAE, para capacitações sobre manejo ao paciente com queixa respiratória. De forma inédita, estamos trabalho com linha de cuidados tanto pediátrica quanto adulto com a Santa Casa e já aumentamos os quantitativos de medicamentos para não ter nenhum prejuízo aos munícipes.
O MUNICIPIO: Diante dos recentes casos de falecimento de bebês após atendimento na UPA, a comoção e a cobrança por respostas foram imediatas. Como o senhor recebeu essas notícias? E como está sendo conduzida a investigação interna sobre esses episódios?
FARID: Foi um acontecimento terrível. Estamos tomamos medidas internas e os casos estão sendo apurados.
O MUNICIPIO: O que o senhor diria à população que está preocupada com a qualidade e segurança do atendimento da UPA?
FARID: Estamos construindo protocolos, capacitando nossa equipe, substituindo profissionais de diversas áreas, não apenas médicas ou enfermagem. Tudo isso para garantir mais segurança ao atendimento.
O MUNICIPIO: O senhor tem algum projeto em andamento ou futuro que possa alavancar a qualidade do serviço prestado na UPA? O que podemos esperar em termos de inovação ou melhorias?
FARID: Trabalhar com segurança é trabalhar com diretrizes e protocolos implantados. Eles trarão melhorias para as alterações que estamos realizando.
O MUNICIPIO: Algum recado para final para a população sanjoanense?
FARID: Estamos há mais de 60 dias à frente da UPA. Encontramos um cenário devastador tanto estrutural, emocional, administrativo, assistencial, enfim… Não tivemos transição, mas realizamos algumas melhorias. Pedimos um pouco mais de tempo para que possamos ter a saúde que todos desejam.



