Por Ana Paula Fortes
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O Maio Roxo é um movimento mundial de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, patologias crônicas que afetam cerca de 5 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que até 150 mil indivíduos convivam com essas condições, muitas vezes sem diagnóstico adequado.

O QUE SÃO AS DIIS
As Doenças Inflamatórias Intestinais são condições autoimunes e ainda de causas não completamente compreendidas. Estudos apontam uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais como gatilhos para o seu desenvolvimento.
A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, e costuma atingir todas as camadas da parede intestinal. Já a Retocolite Ulcerativa se limita ao intestino grosso, cólon e reto, afetando principalmente a camada superficial da mucosa intestinal.
O gastroenterologista Renzo Ruiz afirma que os sintomas mais frequentes de quem sofre das DIIs são: dor abdominal; diarreia, às vezes com sangue; perda de peso, cansaço excessivo, anemia e lesões fora do intestino, como nas articulações ou na pele.
“O impacto na qualidade de vida é grande. Os sintomas dificultam o trabalho, os estudos e até o convívio social. Muitos pacientes se isolam por vergonha ou ansiedade”, afirmou o médico.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico precoce das DIIs é essencial para evitar complicações e iniciar o tratamento o quanto antes. Nesse processo, a colonoscopia tem papel fundamental, pois permite visualizar o intestino grosso, identificar inflamações, úlceras e sangramentos, além de possibilitar a coleta de biópsias.
Exames laboratoriais e de imagem como ressonância, tomografia e testes de fezes, também ajudam a confirmar o diagnóstico.
“Esses exames são seguros e, com sedação, proporcionam conforto ao paciente. São indispensáveis para um diagnóstico preciso e acompanhamento eficaz”, destacou.

TRATAMENTOS
As DIIs não têm cura, mas o recurso terapêutico adequado permite controlar a inflamação e reduzir os sintomas. São utilizados, no tratamento, medicamentos anti-inflamatórios, corticoides, imunossupressores e biológicos. “É importante ressaltar que dietas específicas, orientadas por nutricionistas, auxiliam muito na diminuição dos sintomas. Utilizamos cirurgias, em casos mais graves ou quando há complicações, como obstruções.
Nos últimos anos, os medicamentos biológicos representaram um salto no controle das DIIs. Eles reduzem as crises e evitam muitas cirurgias ajudando os pacientes a viver com menos sintomas”, afirmou.
ALIMENTAÇÃO E QUALIDADE DE VIDA
A alimentação não causa as DIIs, mas pode ajudar a amenizar os sintomas. Evitar laticínios, frituras e alimentos ricos em fibras durante crises é comum, mas cada paciente deve receber orientação individualizada.
Além disso, manter um estilo de vida saudável, com sono regular, manejo do estresse, prática de exercícios e evitar o cigarro, contribui para o bem-estar físico e mental.
OBSERVE OS SINAIS
A recomendação do especialista é clara. “Se você tem diarreia constante, dor abdominal, sangramentos ou histórico familiar de DII, procure um gastroenterologista. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de controlar a doença e manter uma vida ativa e saudável”, concluiu.
NADA PROGRAMADO EM SÃO JOÃO
Apesar da importância do tema e do alto número de vítimas de Doenças Inflamatórias Intestinais que não possuem conhecimento de que seus sintomas são tratáveis, em São João da Boa Vista, o Departamento de Saúde não programou nenhuma ação até o momento.
Conforme apurado, o órgão nem ao menos possui dados sobre número de pacientes diagnosticados no município.




