Por Bruno Manson
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O empresário André Tonizza Sanchez foi condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto pelo acidente que resultou nas mortes do treinador José Carlos Chessa Luis, o Foguinho do Reio, e da atleta Paloma Heloísa dos Reis, em julho de 2013. Além da condenação, ele deverá pagar o total de R$ 250 mil em indenizações, sendo R$ 100 mil para as famílias das vítimas e mais R$ 50 mil para a treinadora Cristiany Boratto, que sobreviveu à colisão. Cabe recurso da decisão.

O julgamento ocorreu na terça-feira (13) em São Paulo. De acordo com o advogado Gustavo Massari, representante das famílias das vítimas, inicialmente, o caso foi desaforado de São João da Boa Vista, por entender que a sociedade sanjoanense não estaria isenta para julgar, assim foi tentado por três vezes o julgamento em Mogi Guaçu (SP). Na primeira tentativa, o advogado de defesa precisou passar por cirurgia e o júri foi cancelado. Na segunda, uma jurada começou a chorar no começo do júri e houve novamente o cancelamento. Já na terceira tentativa houve a morte do perito da defesa. Com isso, o julgamento foi desaforado para a capital paulista.
EXCLUÍDO DO CASO
O empresário Paulo Eduardo Bittencourt Noronha foi excluído do julgamento. Massari explicou que houve o entendimento da Justiça que não houve elementos que comprovassem a realização do racha e, portanto, não poderia puni-lo. “Na primeira tentativa teve a decisão do ministro André Mendonça, dando uma liminar para Paulo Noronha, e então foi necessário cancelar para aguardar o julgamento de mérito deste HC [habeas corpus]. Com a confirmação da exclusão dele, tivemos a segunda tentativa em São Paulo, onde o júri foi realizado”, explicou.
O caso foi julgado pela juíza Isadora Botti Beraldo Moro e acompanhado pelo promotor Rogério Leão Zagallo. Massari e Éder Camargo Antônio atuaram como assistentes de acusação e o advogado Daniel Leon Bialski ficou responsável pela defesa de André.
PONTO FINAL
De acordo com Massari, o julgamento pelo Tribunal do Júri em São Paulo, após quase 12 anos e seis tentativas de realização da sessão plenária, coloca um ponto final neste sofrimento para as famílias das vítimas. “Não foi o resultado esperado, já que alguns crimes prescreveram neste período e a pena aplicada foi a possível para o crime de homicídio simples. Pelo menos, houve uma solução e um dos envolvidos foi punido. Espero que o André Tonizza não recorra, pois já teve a pena mínima possível. O Paulo Noronha, também envolvido neste caso, foi excluído do processo em agosto de 2024, por decisão do ministro André Mendonça, do STF”, comentou.
“Agora, é seguir e guardar as boas lembranças do Foguinho e da Paloma que faleceram e cuidar da Cristiany que sobreviveu. Por fim, esperamos que o André Tonizza cumpra a pena que lhe foi imposta seguindo o que manda a legislação e que outros casos semelhantes não aconteçam”, concluiu o advogado.
RELEMBRE O CASO
O acidente que matou Foguinho e Paloma ocorreu em 13 de julho de 2013. Na ocasião, as vítimas estavam em um Volkswagen Gol, acompanhadas da também treinadora Cristiany Boratto.
Os três amigos haviam acabado de sair do show da dupla Munhoz e Mariano, durante a 40ª Eapic, no Recinto de Exposições ‘José Ruy de Lima Azevedo’. Ao voltarem para casa, eles foram atingidos por uma caminhonete Toyota Hilux que disputava um racha na pista.
A colisão ocorreu por volta das 3h30, na rodovia SP-342, que liga São João da Boa Vista a Aguaí. Foguinho e Paloma morreram — ele na hora e ela 15 horas depois —, enquanto que Cristiany sofreu ferimentos leves.
Conforme apurado, Sanchez conduzia uma Toyota Hilux e, ao ultrapassar a Volkswagen Amarok de Noronha, a cerca de 170 km/h, retornou à pista da direita e atingiu a traseira do Gol conduzido por Foguinho. O carro ficou completamente destruído.
Os empresários foram presos na ocasião. De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil na época, eles vinham a uma velocidade 112% maior do que a permitida no local, apostando corrida na rodovia.
Sanchez e Noronha foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Serra Azul (SP), onde permaneceram seis meses presos. Após duas liminares de absolvição negadas, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) concedeu, em 23 de janeiro de 2014, habeas corpus aos empresários, que ficaram livres desde então.




