Missa de início do papado teve incenso de sanjoanense

Por Clovis Vieira
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O incenso utilizado na missa de início de pontificado do papa Leão XIV, neste domingo (18), no Vaticano, é brasileiro e fabricado por um sanjoanense. Na semana passada, a versão em português do site Vatican News, em matéria assinada por Fernando Nunes, destacou a notícia e acrescentou: “Mais do que um gesto simbólico, o incenso brasileiro é também uma expressão litúrgica profunda. Sua receita inclui grãos de outros incensos abençoados pelos papas Bento XVI e Francisco. É, portanto, também um sinal de continuidade e unidade do ministério petrino, atravessando os pontificados recentes”.

Sacristia Pontifícia: Martinho com mons. Diogo Ravelli, maestro de celebração litúrgica (Fotos: Divulgação/Incensos Milagros)

A composição do produto é assinada pelo sanjoanense Martinho da Rocha, fundador da empresa Incensos Milagros (atualmente instalada no Vale do Paraíba) que, desde 2007, fornece incensos para a Sacristia Pontifícia. De acordo com a publicação, Martinho chegou a Roma nesta semana e entregou pessoalmente o incenso na Sacristia Pontifícia, nas mãos de dom Diego Ravelli. A nova composição leva o nome“Pacem in Terris”, que significa Paz na Terra.

Na entrevista ao Vatican News, Martinho esclareceu que o nome do incenso não foi escolhido após o primeiro discurso do papa, que tratou amplamente sobre a paz, mas inspirado na encíclica homônima de São João XXIII, publicada em 1963. “Podemos dizer que a missa do papa Leão XIV, assim como seu discurso, será marcada pela paz. A fumaça perfumada que se eleva aos céus não é apenas incenso: é oração, é memória, é esperança”, ressaltou.

VÁRIAS CRIAÇÕES

Martinho conversou com O MUNICIPIO diretamente do Vaticano e se emocionou ao falar da trajetória do produto sanjoanense junto aos papados mais recentes: “O nosso incenso tem uma história consolidada de colaboração com o Vaticano. Desde 2007, fornecemos incensos para a Sacristia Pontifícia”, apontou. O primeiro deles, chamado ‘Nossa Senhora Aparecida’, foi enviado ainda no pontificado de Bento XVI, por ocasião da canonização de Frei Galvão.

Saudades: momento inesquecível de Martinho com o papa Francisco

Em 2013, foi criado o incenso ‘Benedictus’, no momento da renúncia de Bento XVI. Martinho levou três caixas a Roma, sendo uma delas entregue na Sacristia Pontifícia para a missa de início do pontificado de Francisco. Ainda em 2013, foi produzido o incenso ‘Urbi et Orbi’ para a Jornada Mundial da Juventude. No Ano da Misericórdia (2015/2016), foi lançado o ‘Misericordiae’. Em 2024, por ocasião do Jubileu da Esperança, a empresa desenvolveu o incenso ‘Peregrinantes in Spem’.

NA BÍBLIA

A história das religiões lembra que, na Bíblia, o incenso é apresentado como um elemento ritual e simbólico, frequentemente associado à adoração e à intercessão. É usado no culto, tanto no Antigo como no Novo Testamento, para representar as orações que ascendem a Deus. No Antigo Testamento seu uso está registrado no Culto do Templo: “O incenso era queimado diariamente no altar do incenso, tanto pela manhã como à tarde, como parte da oferta diária a Deus”. O Novo Testamento lembra que o incenso foi um dos presentes oferecidos a Jesus pelos Reis Magos, sugerindo que Jesus é a fonte de toda oração e adoração.

Produto com mensagem teológica e espiritual

O incenso “Pacem in Terris” foi concebido como uma verdadeira oração olfativa, afirmou o sanjoanense. Inspirado nos quatro pilares propostos por São João XXIII em sua encíclica — Verdade, Justiça, Caridade e Liberdade —, cada elemento da composição representa um valor espiritual:

  • O líbano: representa a VERDADE divina e a oração que sobe aos céus.
  • Mirra e Estoraque: evocam a JUSTIÇA e a purificação.
  • Nardo e Rosa: representam a CARIDADE sacrificial e o amor divino/ecumênico.
  • Lavanda: simboliza a LIBERDADE interior, serenidade e esperança.
Novidade: incenso ‘Pacem in Terris’ , que será usado na Missa (Divulgação/Incensos Milagros)

A mistura também traz, em doses homeopáticas, três incensos que marcam pontificados anteriores: Urbi et Orbi, Misericordiae e Benedictus. Segundo Martinho, essa inserção é um “elo de continuidade entre os papas” e um gesto de gratidão à história recente da Igreja.

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