Por Clovis Vieira
[email protected]
Leitores apaixonados ainda questionam: o jornal impresso vai desaparecer? Jornalistas que também nutrem paixão similar afirmam que não! Embora estes profissionais possam atuar em tantos outros veículos de comunicação, escrever para um jornal impresso tem o seu charme e muita tradição. “Neste último meio século o que houve de mais importante é o advento da internet. Então, surgiu um novo meio, porque o impresso continua, mas não mudou a essência, a finalidade e a natureza do jornalismo”, afirmou Wilson Marini, formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP), em 1979.
Marini afirma ver a atividade com otimismo, como algo essencial na democracia, que junta as peças do quebra-cabeças “tanto de uma cidade, nas relações locais e desafios urbanos, como de uma região e de um país, no debate das questões estaduais e nacionais”. Portanto, jornalismo é a coleta, investigação e análise de informações para a produção e distribuição de relatórios sobre a interação de eventos, fatos, ideias e pessoas que são notícia e que afetam a sociedade em algum grau.

FAKE NEWS
Sobre as fake news – as notícias falsas – Marini lembrou que elas existem desde sempre. E analisa que essa prática ganhou um debate devido à grande visibilidade proporcionada pela internet. “A culpa [das fake news] não é da internet e, sim, da natureza humana! A internet existe para o bem e para o mal; as pessoas precisam ter a chamada ‘educação midiática’, que é saber onde buscar informações e checar as notícias. Um dos resultados é a valorização de veículos sérios, comprometidos com a sociedade onde atuam”, ponderou.
Ele entende que as fake news, ao contrário de serem concorrentes do jornalismo, elas acabam por valorizar o aspecto de seriedade dos veículos que assim atuam, elegendo-os como fontes que os leitores podem confiar. “São veículos que, ao longo do tempo, ganharam a credibilidade da opinião pública, tornando-se uma espécie de ‘curadores’ e avalizadores da informação correta. Eu cito como exemplo O MUNICIPIO, cujos jornalistas não medem esforços para publicar notícias somente depois de muita checagem”, afirmou.
O JORNALISMO
Todos os estudantes de jornalismo, durante suas aulas, se deparam com as seis perguntas do jornalismo: O quê? Quem? Quando? Onde? Como? E por que? Essas questões são fundamentais para responder ao leitor sobre algum acontecimento. “Importante ressaltar que, se o veículo errou ao publicar alguma informação, ou deixou de contar tudo o que compunha a notícia, ele vai ter sempre a chance na edição seguinte de corrigir, de complementar, de ouvir o outro lado; isso dá segurança ao leitor”, finalizou.
Marini concluiu pós-graduação em Marketing e Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo (SP), em 2004, com dissertação nota 10 sobre Jornalismo Impresso Regional e Globalização. Em 2005, obteve o Master em Comunicação – Gestão de Empresas de Comunicação pela Universidade de Navarra/Espanha. Por diversas vezes, prestou serviços ao O MUNICIPIO orientando a equipe do jornal em diversos aspectos do jornalismo e modernizando o visual do bissemanário.
DIA DO JORNALISTA
Criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o Dia do Jornalista – 7 de abril – presta homenagem ao jornalista Líbero Badaró, assassinado em 1830 por defender o fim da monarquia e da dependência brasileira de Portugal. A morte de Badaró gerou um grande movimento popular de revolta em São Paulo, centro político do país na época. Fundou o jornal O Observador Constitucional, onde defendia o movimento antimonarquista. Antes de morrer, quando sofreu o atentado, Badaró deixou uma frase para a eternidade: “Morre um liberal, mas não a liberdade”. Em 1931, cem anos depois de D. Pedro I abdicar, o dia 7 de abril passou a ser oficialmente o Dia do Jornalista no Brasil.
Considerando muitas publicações que são, atualmente, questionadas pelo leitor consciente, pode ser saudável uma leitura do juramento do jornalista: “Prometo, no exercício da profissão de jornalista, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação e empenhar todos os meus atos e palavras, meus esforços e meus conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade”.
Fotojornalismo conta as notícias sem usar uma palavra
É no fotojornalismo que mais se aplica a expressão popular de autoria do filósofo chinês Confúcio ‘uma imagem vale mais que mil palavras’. Fotojornalismo é a comunicação de notícias por meio de fotografias. Essas imagens costumam aparecer em jornais e revistas impressos, assim como em sites onlines e plataformas de microblog. É uma imagem que pode realçar instantaneamente a história contada por um artigo de jornal aos leitores.
Sobre o trabalho feito hoje, o fotojornalista Nilton Joaquim Queiroz, 70, avalia que “o jornalismo em geral se pasteurizou”, significando que os profissionais atuantes entregam, mais ou menos, a mesma qualidade e criatividade no trabalho. “Quando eu saí da imprensa, já era o início da digitalização. As câmeras digitais vieram para ajudar… e muito! Elas oferecem muito mais agilidade ao profissional na cobertura de uma pauta. Hoje, os resultados são melhores”. Ele lembrou que muitos jornais já não fazem mais a cobertura fotográfica de eventos, porque existem agências especializadas em imagens, que podem fornecer o que é preciso.

Nilton é paulistano, atuou no Diário Popular, na Folha de S.Paulo, no Estadão, no Metronews, entre outros. Em São João, ministrou aulas de de jornalismo no UniFAE.
O sanjoanense Marcelo D’Sants aponta que “a perspectiva do fotojornalismo hoje está sendo moldada por diversas transformações tecnológicas, sociais e econômicas. Uso de smartphones e câmeras digitais avançadas tem democratizado o fotojornalismo”. Ele iniciou sua carreira no O MUNICIPIO nos anos 1980, mas já trabalhou na TV Bandeirantes entre 1997 e 1998, na Espn de 1998 a 2023, e na Globo de 2023 a 2024.
Disse, também, que qualquer pessoa com um dispositivo, como os telefones celulares, pode capturar e compartilhar notícias visuais rapidamente, o que tem ampliado o papel do que ele chama de ‘fotógrafos cidadãos’. “Isso também mudou a forma como as notícias são consumidas, pois as imagens podem ser compartilhadas em tempo real nas redes sociais”, lembrou.

Sobre a possibilidade de a profissão correr risco de extinção, Marcelo afirmou que o trabalho de fotógrafo e produtor de vídeo pode enfrentar alguns desafios, especialmente com o avanço da tecnologia e as mudanças nas demandas do mercado. “No entanto, ainda há muitas oportunidades na área, especialmente para quem se especializa, cria um estilo único ou oferece um bom trabalho”, concluiu.




