Denúncias falsas disparam e prejudicam trabalho da polícia

Disparou o número de denúncias improcedentes realizadas ao Disque-Denúncia (181), Disque-Direitos Humanos (100) e Disque-Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (180), no ano passado, em São João da Boa Vista. Dados alarmantes da Polícia Civil apontam que, das 535 denúncias recebidas pelas três modalidades de janeiro a dezembro, 435 eram infundadas (81,31%) e apenas 76 procediam (14,20%); outras 24 ainda aguardam resposta (4,49%).

Separadamente, o Disque-Denúncia teve maior alta em ligações infundadas. Das 445 ligações feitas à modalidade, 364 foram improcedentes, 60 procedentes e 21 esperam resposta. Em segundo lugar vem o Disque-Direitos Humanos, com 58 ligações recebidas, sendo 49 infundadas, oito procedentes e uma aguardando retorno. Por fim, das 32 ligações recebidas pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 22 não procediam, oito tinham fundamento e apenas duas aguardam por resposta.

A reportagem do O MUNICIPIO apurou que o crescimento das denúncias improcedentes, inclusive trotes, tem prejudicado o trabalho da Polícia Civil. Em cumprimento à Resolução nº 471 da SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), de 24 de outubro de 2000, que instituiu o Disque-Denúncia, a polícia tem prazo de até 30 dias para responder as denúncias à Pasta, sob pena de responsabilidade.

“E nós respondemos. Do total de ligações recebidas (535), 510 foram respondidas à SSP, restando apenas 24. Mas, pelo fato da maioria das denúncias ser improcedente, tem se tomado o tempo do policial para trabalhar em outra coisa, sendo que poderia resultar em uma situação mais eficaz. E a Polícia Civil está com um déficit de recursos humanos extremo e trabalhando no limite”, afirmou o delegado seccional Sebastião Antonio Mayriques.

Segundo apurado, considerando que o Disque-Denúncia seja um meio viável para auxiliar no trabalho dos investigadores e na solução de crimes, a Resolução veda a possibilidade de se checar anteriormente se as denúncias são procedentes ou não, haja vista que é assegurado ao denunciante o sigilo de dados. O próprio artigo 2º da Resolução da SSP cita que “os aparelhos da central telefônica que recebem as denúncias não estarão ligados a nenhum sistema de rastreamento nem de identificação de chamadas, para preservar o anonimato do denunciante”.

“Vejo a grande mídia divulgando o Disque 100, o 180; mas que fosse acrescentado algo do tipo ‘denuncie com responsabilidade’, talvez ajudasse; porque o aumento das denúncias improcedentes está nos causando um problema seriíssimo. Tenho que deslocar pessoal para apurá-las e tenho 30 dias para responder”, apontou.

Portanto, o delegado voltou a solicitar a colaboração para as denúncias sejam feitas com consciência e responsabilidade. “Pedimos aos cidadãos que, como grandes parceiros da polícia no combate à criminalidade, façam as denúncias dando informações que realmente sejam procedentes, ou que pelo menos auxiliem a polícia a comprovar aquele fato, e não atuem de maneira aleatória, por motivo de vingança, briga entre vizinhos, situações que poderiam ser resolvidas de outra forma. Isso prejudica o trabalho da polícia e, quando o trabalho da polícia é prejudicado, o maior prejudicado é o próprio cidadão”, finalizou.

MODALIDADES

São três tipos de canais à disposição da população: Disque-Denúncia (181), da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo; Disque-Direitos Humanos (100) e Disque-Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (180), ambos de Brasília (DF).

Pelo Disque-Denúncia, os crimes geralmente são de tráfico de drogas; receptação dolosa; pessoas procuradas pela Justiça; veículos abandonados; e roubos e furtos, incluindo de veículos.

Já pelo Disque-Direitos Humanos, os casos envolvem abusos a idosos; abusos sexuais; maus-tratos; violência física e exploração infantil.

Quanto ao Disque-Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, os crimes mais comuns são de violência física e psicológica contra o sexo feminino.

PARA LEMBRAR

Em junho de 2017, O MUNICIPIO publicou matéria sobre denúncias improcedentes e a preocupação constante da Polícia Civil com o caso. À época, os percentuais já apontavam o crescimento de ligações com informações infundadas.

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