Por Bruno Manson
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O coordenador do Cemitério Municipal, Danilo Galhardo, esteve segunda-feira (25) na Câmara Municipal para denunciar um suposto esquema de cartel envolvendo coveiros e ex-funcionários públicos municipais que trabalhavam na necrópole. O caso tem sido apurado desde 2021 e está sendo investigado pelo Ministério Público.
Ao usar a Tribuna Livre, o coordenador relatou que, ao iniciar suas atividades, se deparou com uma série de irregularidades e até chegou a protocolar na Casa de Leis, à época, o pedido para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na época, mas nada foi feito até então. Diante disso, ele começou a juntar documentações e remeter diretamente ao MP, o que desencadeou a investigação que está em curso.

CARTEL
Durante a sessão, Danilo deu detalhes de como funcionava o esquema de cartel dentro do Cemitério Municipal. De acordo com o coordenador, durante os preparativos para os enterros, os coveiros abordavam as famílias e alegavam que a sepultura necessitava urgentemente de reparos, oferecendo seus serviços logo em seguida. Ele afirmou que as abordagens ocorriam nos dias que estavam prestando plantões. “Era proibido a pessoa trazer, nem que fosse um parente dela, para construir a sepultura. Por que? Os construtores eram os coveiros!”, explicou. “Cobravam o quanto queriam. Saia documentação de dentro do escritório”, disse o denunciante, afirmando ainda que o coordenador e o administrador da necrópole na época seriam os responsáveis pelos documentos supostamente fraudulentos.
Segundo Danilo, três coveiros participariam desse esquema e até teriam aberto empresas nos nomes das esposas para poderem prestar esses serviços. Além disso, ele apontou que o suposto cartel ainda teria a participação de um dos chefes do setor administrativo do cemitério e as reformas das sepulturas seriam feitas com o uso de materiais da prefeitura.
RELATO
Em meio à sessão, o vereador Júnior da Van (Podemos) contou que adquiriu um terreno no cemitério em 2019 e para construir o túmulo teve que contratar um pedreiro de lá, o qual é filho do ex-administrador. Na ocasião, o edil disse que tem o recibo com as assinaturas do construtor e do ex-diretor da necrópole.
Ao comentar sobre o caso, Danilo relatou que os recibos emitidos na época também conteriam algumas informações irregulares, uma vez que estavam vinculados ao Departamento de Finanças e não ao Departamento de Obras e Serviços Públicos, órgão que é responsável pelo Cemitério Municipal. O coordenador ainda chamou a atenção de Júnior da Van em relação a outro detalhe do recibo. “O senhor assinou um documento que era para ter ‘preço público’ e está escrito ‘preço combinado’”, observou. “Uma parte desse valor não caiu nos cofres da prefeitura”, completou o denunciante, informando ainda que existem mais de 1.000 casos nesta mesma situação.
APOSENTADORIA CASSADA
As denúncias feitas por Danilo resultaram recentemente na cassação da aposentadoria de um ex-administrador do cemitério. No dia 8 de novembro, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de São João da Boa Vista (São João Prev) publicou a Portaria nº.: 46/2024 informando a suspenção do benefício.
De acordo com a instituição, a decisão foi tomada levando em conta o processo administrativo disciplinar instaurado para apurar as condutas e responsabilidades do beneficiário enquanto estava em atividade. Foi considerado o inteiro teor dos autos e a assentada final da Comissão Processante, a qual sugeriu pela cassação de aposentadoria, além da decisão final emitida pela prefeita Maria Teresinha de Jesus Pedroza (PL), autorizando a aplicação da penalidade.
OSSOS NO LIXÃO
Outra irregularidade apontada por Danilo é em relação a ausência de um ossário no Cemitério Municipal. O coordenador afirmou que até 2021 os restos mortais eram armazenados em um cômodo na necrópole e também mencionou que houve ossadas humanas descartadas no lixão, o que foi tema de antiga matéria publicada pelo canal Notícias Policiais. “O único ossário que tentaram [construir], começaram a fazer e teve que ser demolido. Pararam [a obra] na metade porque as tampas eram mais caras que o ossário inteiro. Eu tenho toda essa documentação”, declarou. “Fica a pergunta a todos: até 2021, para onde eram levados os ossos?”.
EMBATE
Enquanto falava sobre a ausência do ossário, Galhardo e um servidor aposentado – que trabalhou no Cemitério Municipal e acompanhava a sessão – tiveram alguns momentos de atrito. Após as denúncias, ele chegou a ocupar a Tribuna Livre para rebater as acusações do coordenador da necrópole, porém, estava bastante nervoso e precisou ser amparado na ocasião. Com isso, a reunião foi brevemente interrompida.
REFORÇANDO A DENÚNCIA
Ao comentar o caso, o presidente da Câmara Municipal Carlos Gomes (PL) relatou que irá reportar as informações denunciadas na Tribuna Livre ao Ministério Público para que sejam tomadas as devidas providências. “Uma pessoa pagava no cemitério, no serviço público, e o dinheiro não entrava na prefeitura. Isso é muito sério e dá cadeia! Já deixou de ser alçada nossa e passou de ser alçada da polícia e do MP”, concluiu.




