Consciência Negra: data terá poucas atividades especiais comemorativas

Por Clovis Vieira
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Este ano, as comemorações em torno do Dia da Consciência Negra, em São João da Boa Vista, não serão como em anos anteriores. Exemplo é a aguardada ‘Missa Afro’, que não acontecerá neste ano: “Este é um dos projetos que estamos agendando para 2025; estamos nos organizando para realizar uma semana inteira de atividades no ano que vem”, informou mestre Marcão (Marcos Paulo Pereira), presidente do grupo Integração Cultural Protea (ICP), único movimento negro em atividade na cidade, criado em 1998. Hoje, o grupo conta com 14 integrantes.

Estátua de Zumbi dos Palmares: está fixada na Praça Onze, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) (Reprodução/Letícia Pontual/Ag. O Globo)

O presidente contou que reuniões com o poder público, com o objetivo de realizar atividades que marcassem a data, teriam sido feitas, mas que não teriam avançado ao ponto de ações concretas ocorrerem. Mesmo o Protea vem ‘se recuperando’, após a pandemia de Covid-19, conforme apontou Marcão. Ainda assim, uma exposição no Museu Histórico e Pedagógico ‘Armando de Salles Oliveira’ apresenta ao público, nos meses de novembro e dezembro, itens que destacam e representam movimentos culturais e musicais ligados ao movimento negro, como o Maracatu, o Samba de Roda, o Maculelê e a Capoeira.

PEDAGOGIA

Evento agendado para terça-feira (19), em alusão ao Dia da Consciência Negra, e encerrando as ações do ano letivo no curso de Pedagogia do UniFEOB, contará com a participação de pessoas e grupos que, através da música e da dança, disseminam a cultura e as tradições do povo preto no Brasil. O evento artístico ocorrerá na brinquedoteca da instituição, a partir das 20h.

O encontro contará com o grupo de maracatu ‘Baque Mulher’, sob o comando de Karina Mattos; da capoeira do Mestre Marcão; e do projeto ‘Samba do Povo’, sob o comando de Dy Lourdes Juvêncio. “Será uma noite de aprendizado e celebração da negritude numa instituição que preza pelo respeito à diversidade, pela sustentabilidade e pela inclusão”, afirmou Mariângela Jacomini, integrante do Protea e docente na Pedagogia UniFEOB.

Este curso, sob a coordenação da professora Fátima Médici, tem como um dos objetivos conhecer, discutir e valorizar a diversidade e os direitos humanos, informou Mariângela. Faz parte do projeto pedagógico do curso a educação para as relações étnico raciais e a educação antirracista “o que nos leva a promover ações diversas ao longo do ano letivo nos diversos módulos e unidades de estudo”, encerrou.

FERIADO

O feriado municipal do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, foi instituído em São João através da lei nº.: 1.982, de 27 de dezembro de 2006, de autoria do então vereador Dionízio Martins de Macedo Filho. O 20 de novembro também torna-se, este ano, feriado nacional pela primeira vez na história do Brasil. Em 21 de dezembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº.: 14.759/2023, que declara a data como feriado nacional para celebrar o Dia da Consciência Negra.

21 ANOS

Este ano, a lei nº.: 10.639-03 completa 21 anos: ela torna obrigatório nas escolas o ensino de história da África, dos africanos no Brasil e da cultura afro-brasileira. Cultura essa oriunda do encontro desses matizes de diferendo tes origens que, conforme classificam os historiadores, “compõe o processo histórico do nosso país”.

A data do feriado foi escolhida por marcar a morte do maior ícone da história dos negros no Brasil. Nesse dia, em 1695, Zumbi dos Palmares foi morto após  ter sido denunciado por um companheiro e capturado pelos portugueses escravocratas. Era o fim do Quilombo dos Palmares, símbolo da resistência escrava e o maior do país. Situado em Alagoas, chegou a abrigar mais de 30 mil negros que escapavam da escravidão.

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