Por Ana Paula Fortes
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Nos dias 26 e 27 de setembro, comunidades em todo o Brasil se reúnem para comemorar o dia de São Cosme e São Damião, refletindo um rico sincretismo religioso. No catolicismo, esses santos são reconhecidos como patronos dos médicos e farmacêuticos. Nas religiões afro-brasileiras, os irmãos são identificados com os orixás gêmeos Ibeji, filhos de Iansã e Xangô, celebrando a dualidade e a fertilidade. As festividades incluem distribuição de doces, simbolizando proteção e prosperidade, e revelam a profunda conexão cultural que une diferentes crenças na sociedade brasileira.

Cosme e Damião
Cosme e Damião, eram gêmeos de família nobre, nascidos em Egéia, na Arábia, por volta do ano 260.
Os irmãos foram estudar na Síria e se especializaram nas ciências e na medicina. Tornaram-se médicos famosos e passaram a cuidar de pessoas e animais de forma gratuita. Na época, alguns milagres foram atribuídos a eles, como a cura de pessoas cegas ou paralíticas. O trabalho médico de ambos fez com que várias pessoas fossem convertidas ao cristianismo.
A fama de Cosme e Damião chegou aos ouvidos de Lísias, governador da Cilícia, província na Ásia Menor. Após receber a confirmação de que eles eram cristãos ele foi atrás dos irmãos a mando do imperador Diocleciano. Os gêmeos foram acusados e presos por feitiçaria e por espalharem uma seita proibida, sendo condenados à morte.
A história dos irmãos é contada na Legenda Áurea, uma união de biografias de santos escritas no século XIII, que relata que eles foram primeiramente condenados à fogueira, mas saíram ilesos. Em seguida, foram enviados para serem apedrejados, mas as pedras teriam se voltado contra os algozes. Sobreviveram também à flechadas e afogamento. Por fim, o imperador optou por decapitá-los.
Até hoje, Cosme e Damião são venerados como santos mártires por morrerem testemunhando sua fé em Jesus Cristo.
No século VI, durante o pontificado do papa Félix IV, os irmãos foram canonizados e passaram a ser reconhecidos como santos.
Ibejis e Erês
A associação com as crianças se aprofundou nas religiões de matriz africana, no século XIX, onde são relacionados aos Ibejis e aos Erês. Esta associação se deve tanto à simbologia dos gêmeos quanto à imagem de inocência e pureza que as crianças carregam. “O sincretismo na Umbanda não é apenas uma fusão de santos e orixás, mas um reflexo da história do Brasil, marcada pela convivência e resistência de diferentes culturas e religiões”, explicou o sacerdote umbandista, Pedro Scarabelo.
A celebração de São Cosme e Damião na Umbanda ocorre em 27 de setembro, um dia após a data católica, e é festejado com balas, refrigerantes, bolos, mel e frutas, para agradar os paladares infantis açucarados, simbolizando a generosidade dos santos e a alegria dos ibejis. “Durante as celebrações, é comum ver ruas enfeitadas e crianças ansiosas por receber saquinhos de doces, que são distribuídos por devotos como forma de agradecimento por graças alcançadas. Esta prática não só fortalece os laços comunitários, mas também mantém viva a tradição de generosidade associada aos santos”, finalizou Scarabelo.




