Quaresma: este é um tempo forte da misericórdia de Deus, diz padre

Durante as missas celebradas na Quaresma, o padre usa paramento roxo, em sinal de penitência e recolhimento

Neste dia 14 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, tem início um dos períodos mais importantes para os católicos: a Quaresma. Durante 40 dias que antecedem a Páscoa, os fieis são chamados a um processo de conversão.

Para o padre Adriano Roberto da Silva, da Paróquia Imaculada Conceição, este é um tempo forte da graça e da misericórdia de Deus. “É um verdadeiro caminho que prepara o católico para a celebração da Ressurreição do Senhor Jesus, que é o coração e o cume do ano litúrgico e da vida do cristão”, reforça.

O sacerdote ressalta que durante a Quaresma, a Igreja convida os católicos a viverem com modéstia e simplicidade. “E que façam jejuns, intensifiquem as orações e pratiquem ainda mais as obras de caridade”.

Padre Adriano explica, com mais detalhes, a importância do jejum. “Em cada sexta-feira da Quaresma somos convidados a viver um sinal de austeridade e de renúncia, jejuando e abstendo-nos de comer carne. Jejum e abstinência guardam um significado muito profundo, indicando a participação de todas as pessoas que estão no caminho de conversão, que renunciam ao pecado e a escolha pela sobriedade. Leva-nos a deixar de lado o que é supérfluo para dar novamente espaço e voz a quem é verdadeiramente importante e central na nossa vida, Deus”.

Mas o religioso diz que o jejum que agrada a Deus precisa levar a transformação de vida, a mudança de atitudes que destroem a relação com Deus, com o próximo e com a natureza. “O jejum verdadeiro cria uma nova consciência, rasga o coração e transforma o agir do cristão. Jejum só é verdadeiro quando nos torna mais semelhantes a Jesus Cristo, que fez da sua vida um dom para os outros. O jejum deve nos levar a ter fome de Deus, a pratica da bondade e da paciência, a sermos gratos pelo que temos, a confiar em Deus, a levar uma vida simples, a ter o coração repleto de alegria e compaixão”, indica.

Outra observação feita pelo sacerdote é que o período quaresmal é tempo de purificação dos pecados e de reconciliação com Deus e com os irmãos. “A penitência, entretanto, não é só pessoal mas também social, pois se abre ao próximo”.

Outra característica da Quaresma, aponta Adriano Roberto, é que a oração cristã se torna mais intensa e com mais assiduidade. “A oração nos abre para a vontade de Deus e combate a nossa autossuficiência. Ela nos ajuda a afastar de nós as ciladas do inimigo”.

Por fim, e não menos importante, o sacerdote reforça que a Quaresma também é tempo de exercitar a caridade. “Estar próximo de um doente, partilhar do seu alimento, fazer doações para obras sociais ou de caridade, visitar os asilos, as casas que cuidam de crianças etc. Toda dedicação em relação ao próximo é bem vinda”.

A Quaresma tem início com a Quarta de Cinzas e termina, segundo o pároco da Imaculada Conceição, com a Quinta-feira Santa, na celebração da Missa da Ceia do Senhor, que abre o Tríduo Pascal. “Durante as missas celebradas na Quaresma, o padre usa paramento roxo, em sinal de penitência e recolhimento e não é cantado o glória, nem o aleluia”, ensina.

 

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