Por Clovis Vieira
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São João da Boa Vista se destaca na região, entre outros merecimentos, por reunir muitas mulheres bonitas. Nessa passarela ao ar livre, que são as ruas da cidade, desfilam beldades que encantam não apenas os sanjoanenses, mas também visitantes de ambos os sexos que reconhecem mais essa virtude do município. Pelo menos duas delas tiveram o devido reconhecimento, quando alçadas à condição de miss, uma classificação em concursos que pretende valorizar tanto a beleza física das mulheres, quanto seus atributos intelectuais.
MISS PAULISTINHA
Na década de 1950, foi criado pelos Diários Associados o Concurso Miss Paulistinha, com o intuito de angariar fundos para a manutenção da Enfermaria Infantil do Hospital do Câncer, em São Paulo. As cidades do Estado enviaram suas representantes e, em se tratando de um evento beneficente, a eleição era feita por venda de votos. A representante da cidade de São João da Boa Vista, em 1956, foi Mildred Sguassábia Silveira, 74, então com 7 anos e extremamente tímida.

As crianças foram recepcionadas no Hotel Danúbio, que existia na avenida Brigadeiro Luís Antônio, nº.: 1099, no centro da capital paulista. Lá permaneceram durante uma semana, quando participaram de passeios por pontos turísticos da cidade, assistiram a espetáculos musicais e circenses, como o do Circo do Arrelia, além de serem recebidas em jantares e outras atrações.
“Quando fui candidata por São João, várias lojas do comércio local vendiam votos, a imprensa ajudou muito… a cidade toda, na verdade, colaborou e trabalhou para que a gente apresentasse uma boa quantia em dinheiro”, relembra a Miss Paulistinha sanjoanense. Mildred lamenta que esses mesmos concursos infantis, hoje, transformam as crianças em “verdadeiras caricaturas de adultos”. E afirmou que certames assim deveriam ser mais e melhor explorados, “porque despertam na criança a vontade de ajudar de alguma forma e de se envolver em projetos sociais”.
MISS SÃO JOÃO
Maria de Fátima Rossetti Bruno, 69, é a Miss São João! Para muitos, é a única, a mais bonita, “a eterna Miss São João”. A escolha de seu nome para comemorar o Sesquicentenário da cidade, em 1974, aconteceu quando ela ainda cursava o ginasial, aos 17 anos. “Foram os próprios alunos do Instituto de Educação que me escolheram; eles passaram de classe em classe para fazer a escolha”, relembrou. Muito tímida, a estudante contou que o concurso aconteceu no Centro Recreativo Sanjoanense, quando disputou o título com outras 27 jovens.

Em seguida à vitória sanjoanense, disputou o Concurso de Miss Região, em Ribeirão Preto. Concorrendo com mais de 40 outras misses, Fátima também foi a vencedora. “Com esse título, eu visitava as muitas cidades que tinham suas candidatas a Miss São Paulo; eu era convidada a fazer a abertura de Bailes de Debutantes na região toda e dançava com os prefeitos dessas cidades, com os artistas convidados…”
A próxima etapa foi o Concurso de Miss São Paulo, em 1976. “Nessa semana do concurso, em São Paulo, tínhamos almoço no Terraço Itália, no Jockey Clube, fazíamos apresentações especiais em muitos shows de artistas famosos…” Dessa vez, Fátima ficou em 8º lugar, recebendo honrosa posição como uma das 8 mulheres com o mais perfeito corpo de Miss, indicada pela imprensa que fez a cobertura da disputa. Por aqui, a cidade vibrava com toda essa movimentação e a acompanhava pelos raros aparelhos de televisão disponíveis na época.
Hoje, a Missão São João é esposa, mãe e avó. Tem guardadas todas as faixas de Miss que ganhou, tem a coroa e o cetro do Concurso sanjoanense, folheia às vezes os seus álbuns de fotografias com toda essa trajetória. Pensa seriamente em destinar todo esse material ao Museu Histórico e Pedagógico ‘Dr. Armando de Salles de Oliveira’. Caso hoje houvesse um concurso de Miss Vovó, a eterna Miss São João participaria? “Eu participaria, sim!”, confessa entre risos. “Porque eu gostei muito de ter participado desses outros concursos, apesar de que era muito tímida; foi um tempo muito bom na minha vida”, concluiu.




