Médica sanjoanense participa em resgates no Rio Grande do Sul

Por Clovis Vieira
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A oftalmologista sanjoanense Camila Caldas Vaz de Lima encontra-se, nesse momento, na linha de frente da tragédia climática ocorrida no sul do País. As fortes chuvas que castigam o Rio Grande do Sul desde o fim de abril causaram estragos que ainda não foram calculados. As inundações afetaram um total de 458 cidades, o que corresponde a mais de 90% dos municípios gaúchos, com mais de 2 milhões de pessoas impactadas pelo evento climático extremo.

Compondo o ‘Esquadrão Poker’, oftalmologista Camila Caldas Vaz de Lima atua no resgate de vítimas e suporte a desabrigados (Lauro Alves/Secom)

“Neste momento, nós os médicos e enfermeiros, estamos apoiando diretamente a base aérea de Santa Maria no resgate e no transporte de pacientes que necessitam de atendimento médico. Também atuamos na manutenção de quem passa por tratamentos como a quimioterapia”, explicou a capitão médica Camila Caldas, que é o seu ‘nome de guerra’. Ela é formada pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto há 15 anos.

Naquela mesma instituição fez especialização em Oftalmologia. Em 2015, Camila ingressa na Força Aérea Brasileira (FAB) e sua primeira localidade foi Pirassununga (SP), onde permaneceu até 2021. No ano seguinte, foi transferida para Santa Maria (RS), ingressando no ‘Esquadrão Poker’, um esquadrão de caça. A partir daí se torna a médica desse grupo.

TRABALHO DE PARTO

Em sua posição, em contato direto com diversos aspectos da tragédia, ela aponta que ainda há muitas cidades que continuam ilhadas, sem qualquer acesso por via terrestre. “São pacientes que precisam do atendimento que é oferecido em cidades maiores, como em Santa Maria e em Santa Cruz do Sul. Junto ao ‘Esquadrão Pantera’, nós tanto realizamos resgates de vítimas, como promovemos essa evacuação aero médica dos pacientes nessas condições”.

Outro benefício que a base aérea de Santa Maria presta à população é o transporte de cestas básicas e insumos hospitalares às regiões onde ainda não é possível o acesso terrestre e que precisam manter esse atendimento médico. “Nós temos acompanhado o desespero de inúmeros pacientes resgatados, que estavam ilhados já há quatro dias sem energia elétrica e sem água. O nosso sentimento é: poder ajudar alguém em situação de vulnerabilidade não tem preço!”

Equipe: Camila, no centro da foto, com colegas militares (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Ela destaca as muitas gestantes em meio àquele caos que já estavam em trabalho de parto e que, graças aos esforços desses esquadrões da Força Aérea, houve tempo hábil de serem transportadas para os hospitais disponíveis. “Sim, deu tempo de serem levadas para locais com condições de terem seus filhos de maneira mais adequada. Tivemos de tudo um pouquinho”, revela, referindo-se à multiplicidade de situações encontradas nesse trabalho de resgate.

Considerando que todo esse esforço vem valendo a pena, em termos de resultados positivos, a sanjoanense classifica como tendo apenas “finais felizes”, o empenho dela e de seus companheiros. “Estamos em prol do Brasil. Onde o nosso Brasil precisar estamos de prontidão”, concluiu.

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