Cigarro eletrônico cresce 600% na preferência dos mais jovens

Por Clovis Vieira
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A data que marca o combate ao tabaco é celebrada no último dia de maio, mas as ações de conscientização estão presentes ao longo de todo o mês e têm a missão de reforçar o compromisso de alertar a população para o uso excessivo do cigarro em todas as suas versões. No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2019, 12,8% das pessoas se apresentavam como fumantes. Embora o número de tabagistas tenha caído mais de 35% desde 2010, o uso do cigarro eletrônico cresceu 600% nos últimos seis anos, especialmente entre os jovens.

Perigo: apenas um cigarro eletrtônico equivale a 600 cigarros convencionais em seus malefícios ao ser humano (Divulgação/Via Google)

“Os cigarros eletrônicos nada mais são do que dispositivos em que o usuário inala um aerossol produzido a partir de um líquido. Há um grande esforço de marketing para fazer as pessoas acreditarem que esse vapor inalado seja inofensivo, mas isso não é verdade”, alertou a médica pneumologista Vanessa Lago. De acordo com ela, esse aerossol apresenta muitas micropartículas tóxicas. “Podemos citar pesquisa recente, realizada no Universidade John Hopkins (Baltimore, Maryland, Estados Unidos), que identificou mais de 2.000 moléculas diferentes no vapor desses cigarros”, apontou.

CONSEQUÊNCIAS

Segundo consta, uma diversidade de produtos integram essas moléculas, como, por exemplo, pesticidas, aromatizantes e solventes, entre outros, classificadas como substâncias que causam efeitos tóxicos, aponta a médica. Entre eles, a irritação respiratória. “Estudos mais recentes mostram a ligação entre o cigarro eletrônico e doenças pulmonares crônicas, como bronquite, enfisema, asma e, também, com doenças cardiovasculares como a hipertensão arterial, o acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio”, disse.

Ela cita, ainda, que pesquisas recentes demonstram que podem também estar associados ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer. O cigarro continua sendo a maior causa evitável de mortes, sendo responsável por mais de 8 milhões anualmente em todo o mundo. O câncer de pulmão é a principal causa de morte em função do cigarro e é o segundo mais incidente no mundo, sendo responsável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), por 2,2 milhões de novos casos por ano, o que representa 11,4% dos casos de câncer registrados mundialmente.

MODERNIDADE

Outra questão destacada pela médica é o alcance do malefício às pessoas que ao redor de quem usa o cigarro eletrônico, os chamados ‘fumantes passivos’. “Infelizmente, essas pessoas também podem desenvolver sintomas respiratórios e doenças respiratórias”, afirmou. Vanessa lembra que a indústria alega que o uso do cigarro eletrônico seria uma forma de auxiliar no abandono ao tabagismo, para aquelas pessoas que fumam cigarros tradicionais: “mas a OMS não recomenta essa prática”. O que se observa, de acordo com a experiência médica dela, é apenas uma ‘migração’ do cigarro tradicional pelo cigarro eletrônico.

Essa troca tem uma justificativa, aponta Vanessa: os cigarros eletrônicos possuem um tipo de nicotina chamada de ‘sal de nicotina’, que causa dependência de forma muito mais rápida em comparação ao cigarro tradicional. “Sua altíssima concentração de nicotina é o principal fator da dependência. Para se ter uma ideia disso, um único cigarro eletrônico, visto como ‘inofensivo’, pode equivaler a 30 maços de cigarros, 600 cigarros convencionais”, disse. A facilidade do uso do cigarro eletrônico parece justificar o aumento de seu uso: pode ser fumado em qualquer lugar, o cheiro não incomoda as pessoas ao redor e é algo considerado tecnológico, bonito e moderno.

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