Greve no campus São João do Instituto Federal afeta mais de 2.000 estudantes

Por Marcelo Gregório
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O campus São João da Boa Vista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) aderiu à greve dos servidores públicos na segunda-feira (15) por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE/SP), as reivindicações estão atreladas a recomposição orçamentária, reajuste salarial, reestruturação das carreiras e revogação de medidas que teriam prejudicado a educação nos últimos anos.

Campus SJ: no ano em que completará 18 anos, em outubro, atividades seguirão paralisadas por tempo indeterminado (Arquivo/Divulgação/IFSP São João)

A paralisação deu-se após a Assembleia Geral realizada no dia 10, em consonância às plenárias nacionais ocorridas nos dias 16 e 27 de março. Em São João, 2.044 estudantes estão matriculados. Ao todo, a instituição de ensino reúne 70 professores e 49 técnicos administrativos, totalizando 119 servidores.

Aluno do curso de Ciências Naturais (Química), campus São João, Rone Emerson Pinheiro Júnior se solidarizou com os servidores públicos do IFSP. “Como aluno não vejo que essa greve venha com intuito de prejudicar alunos. Os docentes já avisaram que após a greve estudaria a melhor forma para repor essas aulas e que ninguém seria prejudicado. Na minha opinião se é greve é porque é grave. Todos têm que se conscientizar dessa gravura”, opinou Pinheiro Júnior.

Em contato com o ‘comando da greve’, O MUNICIPIO apurou com o professor Rogério Souza, coordenador estadual do sindicato, os principais pontos que levaram o IFSP dar uma pausa nas atividades em busca de reivindicações. A recomposição orçamentária está entre as solicitações. “Hoje, os Institutos Federais têm em torno de 1,4 milhão estudantes em todo o Brasil, porém, o nosso orçamento é semelhante ao de 2015, quando a gente tinha 60% da quantidade de estudantes que nós temos hoje. Uma das características que o Instituto tem é atender estudantes de baixa renda. É um estudante que precisa da instituição e assistência estudantil. Aqui no estado de São Paulo, a gente não consegue mexer na assistência estudantil porque o orçamento diminuiu muitíssimo nos últimos anos”, explicou Souza.

VALORIZAÇÃO DE CARREIRA

Uma das propostas do sindicato inseridas no pacote de reivindicações é a reestruturação da carreira dos servidores públicos federais. “Para você ter uma ideia, quem entrou na nossa instituição só com nível fundamental, essa pessoa tem um piso salarial de menos de R$ 1.500. E a pessoa que entrou com nível médio, para exercer várias funções, tem um piso salarial de R$ 2.600. Os professores na nossa instituição aparentam ganhar bem, mas na verdade o salário desses colegas está associado à titulação. Quase todo mundo é doutor, pós-doutor, então, por conta disso, o salário acaba ficando mais alto porque a gente recebe uma bonificação. O salário dos professores no IFSP está abaixo do piso nacional do magistério da educação básica. O piso nacional está em R$ 4.580 e o nosso salário é inferior a R$ 4.000, por 40 horas de trabalho”, disse o sindicalista.

 DIFICULDADES DE PARCERIA

O sindicalista reforçou ao O MUNICIPIO que a recomposição orçamentária possibilitaria aos estudantes acesso ao restaurante estudantil, o ‘bandejão’, com valores populares, bem a facilidade de bolsas de estudos para pesquisas e extensão, além de recursos para insumos. “A gente não consegue fazer pesquisa no Instituto Federal porque não tem dinheiro, [então, a gente] fica correndo atrás de parceria com uma dificuldade muito grande e acaba não realizando aquilo que a instituição promete, que é um ensino de qualidade, público e que possibilite experiências para os nossos estudantes como visitas técnicas e outras atividades”, destacou o professor.

 GOVERNOS ANTERIORES

Reformas em prédios e investimentos na construção de novas instalações, Brasil afora, têm sido prejudicados com a defasagem orçamentária que se arrasta há anos. “Nós ficamos nos governos [Michel] Temer e [Jair] Bolsonaro sem reajuste para os nossos técnicos administrativos, 7 anos. Tivemos uma defasagem de quase 50% no salário dos colegas. E no caso dos docentes, nós ficamos 5 anos sem reajuste salarial, numa defasagem de mais de 30%. O governo Lula assume, a gente começa a dialogar com ele, e ele dá um reajuste de 9%, mas muito aquém daquilo que nós precisamos. Uma consequência disso é que hoje vários colegas estão indo embora da instituição. Estão prestando concursos em cidades pequenas que conseguem oferecer um salário melhor do que na rede federal de educação profissional”, pontuou Souza. A revogação de medidas que teriam inviabilizado práticas educativas bem-sucedidas está entre os pontos cobrados pelos servidores federais. “Especialmente nos últimos 8 anos [porque] nós tivemos problemas com as normativas que prejudicaram muito a educação profissional”, finalizou o professor.

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