Por Marcelo Gregório
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Os açudes localizados no bairro Solário da Mantiqueira, em São João da Boa Vista, estão sem limpeza há anos e praticamente todos cobertos por um tipo de vegetação que tem dificultado a pesca, gerado aspecto de desleixo e provocado revolta em moradores e, principalmente, pescadores. Dois deles, ouvidos pela reportagem do O MUNICIPIO, afirmaram que o único jeito encontrado por eles, para que a atividade de lazer continuasse, foi arregaçar as mangas e fazer parte do papel da Prefeitura.

Frequentador dos açudes, o aposentado Davi Roque disse que ele e outros pescadores construíram pequenas barreiras de contenção — divisões na água, isoladas com bambus — a fim de impedirem o crescimento de plantas aquáticas nos espaços improvisados. “Em cada local pescam dois. Se a gente não tivesse feito isso, [a vegetação] teria completado [toda a parte de água]. Faz uns 26 anos que frequento aqui e nunca ficou desse jeito. Esses açudes eram limpinhos. Agora estão abandonados. A dificuldade nossa é essa. [Estamos] vendo os açudes morrer. Já entramos em contato com a Prefeitura e ‘não deram nem bola’”, reclamou Roque.
SUGESTÃO
Enquanto o Poder Público não adota medidas eficazes, as reclamações persistem. Na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira (1º), o vereador Gustavo Belloni (Podemos) apresentou o assunto no plenário e citou cidades como Vargem Grande do Sul, por exemplo, que incentiva a pesca em áreas de lazer. “Nas cidades da região, na época de Semana Santa, eles soltam os peixes nos lagos [para incentivar a pesca]. Seria muito bacana limpar os lagos [em São João] para que fazermos ações como essas”, sugeriu o vereador.
O acúmulo de mato ao redor dos reservatórios é outra preocupação para quem reside nas imediações e para quem passa pelo local para apreciar a natureza. Na opinião dos frequentadores, os açudes poderiam ser até mais atrativos, se tivessem maior atenção dos responsáveis. “Como que um pai vai trazer uma criança aqui?”, questionou Roque.
O QUE DISSE A PREFEITURA
Em decorrência das condições precárias dos açudes, o Executivo sanjoanense foi procurado para que se posicionasse acerca de quais providências poderão ser tomadas. “Desde setembro de 2023, a administração municipal deu início ao processo licitatório para a contratação de empresas especializadas na limpeza dos açudes. De acordo com o Departamento de Gestão e Planejamento Urbano, a licitação previa a utilização de maquinário específico, como a escavadeira de longo alcance, escavadeira hidráulica, pá carregadeira e caminhão truck basculante para a remoção eficiente da vegetação aquática. No entanto, apesar dos esforços, a licitação da escavadeira de longo alcance não obteve êxito. As empresas consultadas apresentaram valores inviáveis para o orçamento municipal, inviabilizando a contratação por meio desta ata de preços. Diante disso, uma nova licitação está em fase de elaboração e deverá ser publicada em breve, para assim dar início às melhorias. Gostaríamos de destacar que a Prefeitura não se omitiu diante da situação. Reiteramos nosso compromisso com a preservação do meio ambiente e o bem-estar da população”, encerrou a pasta responsável.
CETESB
A reportagem também entrou em contato com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para saber se a vegetação sobre a água oferece algum tipo de prejuízo ambiental. Em nota, a agência do governo paulista forneceu explicações. “A Cetesb informa que espelhos d’água com superfície de até 5 hectares, a atividade de limpeza de barramentos é dispensada de autorização por parte desta companhia ambiental. Informa, ainda, que até o momento a Agência Ambiental de São João da Boa Vista não recebeu reclamação acerca do assunto”, destacou a Cetesb.




