Por Pedro Souza
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Felipe Mascagna Bittencourt Lima, professor do campus São João do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), foi um dos dez medalhistas de ouro da Olimpíada Brasileira de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMbr), que premiou na quarta-feira (27) as melhores estratégias de ensino deste conteúdo. Ele foi o único do Estado de São Paulo a se destacar entre os mais de 600 participantes da competição por desenvolver uma apostila personalizada para cada turma que dá aula no IFSP.

A competição teve três fases, que selecionaram os melhores no País. O medalhista de ouro ainda terá como prêmio uma viagem à China, país que está em primeiro lugar no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). A conquista também rendeu uma matéria no Jornal da EPTV, afiliada da Rede Globo.
“Nunca tive a oportunidade, no ensino médio, de participar de alguma olimpíada de matemática. Mas, sempre procurei despertar nos jovens esse sentimento. Por isso, preparo meu material de aula com muito carinho, para facilitar o ensino/aprendizagem”, disse.
Ao longo de sua trajetória, Bittencourt formou diversos medalhistas que, hoje, conquistam o mercado de trabalho. É o caso da analista da Serasa Experian, Natainá Novaes Silva Barbosa, ex-aluna do campus São João, no qual fez o técnico em Informática e Administração. Atualmente é formada em Estatística pela Unicamp, onde ingressou pelo sistema de medalhas olímpicas.
“O professor Felipe teve um papel extremamente importante na minha vida acadêmica, principalmente em se tratando do ensino de forma simples, organizada e progressiva. Lembro que, em alguns momentos, até disponibilizou seu sábado para me levar e a outros alunos para fazermos provas de olimpíadas em outras cidades”, destacou.
Para a analista financeira Pâmela Caroline Braido, que fez o técnico integrado em Eletrônica no Instituto Federal, orgulho é o que define o sentimento pelo ex-mestre.
“Fico muito orgulhosa dele participar desta olimpíada e receber a medalha de ouro, porque é merecedor. Aprendi muito sobre matemática. Ele é muito humano e tem um carinho especial pelos alunos, e isso faz com que desperte a matemática na gente”, afirmou Pâmela, que atualmente cursa Ciências Contábeis pelo UniFAE, seguindo os passos dos números.

Outro pupilo de Felipe é o jovem Rafael Henrique Delgado Pereira, atual consultor estatístico, e que cursou Eletrônica no IFSP. Recordista em medalhas em olimpíadas (dez de matemática, quatro de astronomia, duas de geografia e uma de física) é o exemplo de que a educação transforma.
“Desde pequeno sempre tive uma certa facilidade com matemática e, por causa disso, acabava me entediando. Eu não gostava da escola de jeito nenhum. Cheguei no IFSP como um adolescente desanimado com os estudos e, foi aí, a primeira vez que senti um desafio. Lembro bem de procurar o professor responsável pela OPMbr no Instituto Federal. Era o Felipe que me motivou e recomendou a participar de um grupo de estudos que ele coordenava, com uma didática fantástica. Começou a nos passar desafios para casa e isso se tornou um hobby, fazendo com que eu me reencontrasse na matéria”, detalhou.
Para o diretor-geral do campus São João, Diego Valente, é um orgulho para o IFSP e deve ser para toda a região a honraria recebida pelo professor. “É um privilégio termos conosco um dos melhores profissionais de matemática do Brasil. De fato, Felipe é especial. Sua dedicação, profissionalismo, conhecimento e humildade são equivalentes ao carinho e reconhecimento que os estudantes dedicam a ele. Desejo, em nome do IFSP, e certo que também de toda a rede dos Institutos Federais, muitas felicidades e que continue a despertar nas futuras gerações a potencialidade da matemática e, para nós, colegas da formação educacional, que possamos aprender cada vez mais com ele”, disse.
OLÍMPIADA DE PROFESSORES
Olimpíada Brasileira de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMbr) surgiu com o objetivo de selecionar, anualmente, até dez professores de matemática que fazem a diferença para os alunos.
Em sua primeira edição, em 2023, a olímpiada contou com mais de 600 educadores de escolas públicas e particulares de todo País. Além de fazerem provas on-line, os competidores passaram por entrevistas sobre seus métodos de ensino.
A competição foi criada por ex-alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Além das medalhas, os professores vão ganhar uma viagem pra China.
“Esses professores são notáveis e eles ainda vão beber do que a gente acha que é a melhor fonte do mundo, que é Xangai, que lidera o Pisa em matemática no mundo. Após esse intercâmbio eles trarão mais novidades ainda e eles irão disseminar isso em várias escolas no País”, afirmou Adauto Caldara, integrante comitê organizador da olimpíada.
O Pisa avalia o desempenho de estudantes de 15 e 16 anos e é realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 81 países. O Brasil ocupou a 65ª posição na última avaliação.




