Por Clovis Vieira
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Moradores do Parque dos Jequitibás e imediações têm registrado queixas contra a ‘invasão’ de quatis. Esses pequenos mamíferos têm invadido quintais, mesmo com a presença de cães, e espalhado o lixo que já estava pronto para ser recolhido. “Eles invadem as casas, e quando estão em bando, atacam cães e ameaçam pessoas”, afirmou um morador. De acordo com ele, já faz três anos que esses pequenos animais começaram a surgir: “era apenas um outro, no começo, mas agora está numa frequência absurda!”.

Esse munícipe afirma ter presenciado a ‘visita’ de bandos com 15 quatis, em algumas ocasiões. Sua principal preocupação é a velocidade e frequência com que os quatis se reproduzem: “igual aos ratos, com ninhadas muito grandes, entre duas a três vezes no ano”. Ele imagina que esse fenômeno tenha se iniciado com as grandes queimadas registradas recentemente, obrigando os animais e buscar abrigo e alimento, seguindo margens de rios, migrando para longe de seu habitat. Outros bairros também fazem a mesma queixa de invasões.
IBAMA
Willian Silva, diretor do Departamento de Bem-Estar Animal, afirma que tem recebido uma série de ocorrências, “muitos munícipes têm vindo conversar pessoalmente comigo, mas para que possamos ajudar a população, nós precisamos da autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama)”. O titular afirmou que e-mail de solicitação já foi encaminhado àquele órgão federal. Tão logo a liberação chegue, esses animais poderão ser realocados ao seu habitat.
Silva pondera que, até pouco tempo, grande parte dos terrenos onde hoje há loteamentos e o surgimento de novos bairros, era uma região de mata e essa modernidade pode ter ‘roubado’ dos quatis o seu local próprio de viver e se reproduzir: “De uma certa forma, nós acabamos invadindo a área deles”. Os incêndios ocorridos nos últimos anos em Águas da Prata, Serra da Paulista e outros locais também devem ser considerados como motivação para esse comportamento dos pequenos animais.
NÃO ALIMENTE
Após a liberação pelo Ibama, algumas armadilhas – em formato de gaiolas – serão instaladas em locais onde se registram maior ocorrência de invasão. “Em face da quantidade de quatis relatados, precisaremos de gaiolas grandes, na tentativa de capturar o maior número de indivíduos possível de uma vez só”, explicou. O local para onde serão levados após a captura é decisão do Ibama, junto ao Departamento de Bem-Estar Animal. “O Ibama nos pedirá referências de alguns locais que sejam ideais onde soltar os quatis; são cuidados necessários para que não haja desequilíbrio de fauna”.
O diretor acrescentou que, em breve, placas informativas, com os dizeres “Não Alimente os Animais”, serão instaladas nos lugares de maior incidência de invasão. “No começo do surgimento dos quatis, as pessoas acham bonitinho e acabam oferecendo algum alimento a eles, mas logo em seguida vem o problema, porque os animais entendem que dali é que vem o que estão procurando”, finalizou.



