De atleta a doutoranda: Mariane Ferreira é referência no paraciclismo

Por Pedro Souza
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A trajetória de Mariane Ferreira é um exemplo de superação e dedicação. Atleta importante no cenário nacional e internacional do ciclismo paralímpico, ela agora se destaca como professora, escritora e pesquisadora, deixando sua marca tanto nas pistas quanto nas salas de aula.

Mariane Ferreira, natural de Aguaí e que já morou em São João da Boa Vista, construiu uma carreira notável no ciclismo adaptado, representando a Seleção Brasileira em diversas competições, conquistando admiradores dentro e fora das pistas.

“Tive o prazer de representar a Seleção Brasileira de Ciclismo e depois fui piloto de uma atleta deficiente visual na Seleção Brasileira de Paraciclismo. Participei também de grandes campeonatos como Copa do Mundo, Mundial, Jogos Parapan-Americanos e os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, realizado em 2016”, disse em entrevista exclusiva ao O MUNICIPIO.

Mariane Ferreira (à frente) foi atleta e piloto da Seleção Brasileira de Ciclismo e de Paraciclismo (Divulgação/Arquivo Pessoal)

DAS PISTAS PARA OS ESTUDOS

Após encerrar a trajetória como atleta, Mariane voltou seus esforços à carreira acadêmica. Com mestrado concluído em Atividade Física Adaptada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e, atualmente, realizando doutorado em Ciência do Movimento Humano e Reabilitação pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela se tornou uma autoridade no estudo do ciclismo para pessoas com deficiência.

Além de suas contribuições acadêmicas, Mariane também se destaca como autora, tendo escrito obras como ‘A menina e o gavião’, uma fábula infanto-juvenil sobre a diversidade, e ‘Quem quer andar de bicicleta’, que aborda o paraciclismo.

Seu comprometimento com o esporte e sua expertise em classificação funcional a levaram a colaborar com entidades importantes, como a Confederação Brasileira de Ciclismo, a Associação Nacional de Desporto para Deficientes e o Comitê Paralímpico Brasileiro.

“É gratificante saber que mesmo sem estar competindo [em cima da bicicleta], consigo continuar contribuindo com o esporte para pessoas com deficiência através da ciência. Sinto e sei que ainda há muito o que fazer, mas ao passo que já tenho dado, é possível perceber que tem despertado o interesse de mais pessoas estudando sobre a modalidade e, não só isso, como também tem ajudado no desenvolvimento da modalidade no País e no mundo. E isso é indescritível”, falou.

Após encerrar a trajetória como atleta, Mariane voltou seus esforços à carreira acadêmica

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

De 20 a 24 de março, Mariane participará do Campeonato Mundial de Ciclismo Paralímpico de Pista, que será realizado no velódromo Olímpico, no Rio de Janeiro (RJ). Esta será a segunda participação em eventos internacionais de Mariane, agora nos bastidores, após ter sido atleta piloto nos Jogos Paralímpicos do Rio.

A expectativa é de que o evento receba 260 atletas de 40 países. Esta é a segunda oportunidade na qual a competição será realizada no Brasil: em 2018 o evento também foi realizado na Cidade Maravilhosa.

“É uma grande responsabilidade realizar pela segunda vez o Campeonato Mundial no Brasil em um momento tão importante. Estamos muito otimistas e comprometidos em oferecer uma experiência inesquecível para todos os participantes e espectadores”, declarou o coordenador de ciclismo paralímpico na Confederação Brasileira de Ciclismo, Edilson Rocha.

O Campeonato Mundial de Ciclismo Paralímpico de Pista 2024 é organizado pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), sob a supervisão da União Ciclística Internacional (UCI).

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