Da Redação
Na última semana, O MUNICIPIO recebeu de um leitor uma foto que evidencia a intensa poda realizada em uma árvore no Parque dos Jequitibás. Tal prática não diverge das intervenções em outros bairros da cidade, sendo possível observar árvores completamente ‘tosadas’ após a ação humana nas ruas da cidade. Um exemplo recente foi o de uma espécie em frente ao Departamento Municipal de Administração, à rua Marechal Deodoro.
Cabe salientar que o caminhão que aparece na imagem apenas é disponibilizado por empresa terceirizada junto à Prefeitura, conforme contrato, para recolher os resíduos, mas que ela não tem nenhuma relação direta com a poda.

A poda na arborização urbana se destina, principalmente, a dar à árvore uma forma adequada durante o seu desenvolvimento (poda de formação), eliminar ramos mortos, danificados, doentes ou infestados (poda de limpeza), remover partes das árvores que representam riscos à segurança das pessoas (poda de emergência) e eliminar partes que interferem ou causam danos irreversíveis a edificações ou equipamentos urbanos (poda de adequação).
EM DESACORDO
No entanto, em desacordo com este último critério, a Prefeitura, empresas privadas e até a concessionária de energia elétrica local estariam adotando a chamada ‘poda radical’. Essa prática envolve cortar mais de 50% da massa verde, incluindo o corte da parte superior da copa e o corte de apenas um lado da copa, resultando em deficiências no desenvolvimento estrutural da árvore. É importante ressaltar que há um guia da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NBR 16246-1, de novembro de 2013, que estabelece procedimentos corretos e técnicas para a poda e remoção de árvores. As podas realizadas estariam em total desacordo, pois eliminam quase que totalmente a massa verde, expondo a árvore a doenças e aumentando o risco de quedas em condições climáticas adversas, uma vez que o corte pode alterar o centro de gravidade da planta, comprometendo sua estabilidade.
ILHAS DE CALOR
Além disso, a poda radical contribui para a formação de ilhas de calor, especialmente na região central da cidade, caracterizada pela intensa circulação de veículos e pelo predomínio de concreto e asfalto. Com o aumento das ilhas de calor, o Centro enfrenta crescentes desconfortos térmicos, influenciando negativamente a qualidade de vida dos moradores e causando preocupações de comerciantes, uma vez que a população começa a evitar circular a pé em algumas ruas por conta da exposição ao sol e ao calor.
FISCALIZAÇÃO
Apesar das implicações evidentes, fontes ouvidas pelo O MUNICIPIO estão na esperança que o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema) e o Ministério Público local fiscalizem essas práticas supostamente inadequadas. Vale mencionar que a prefeita Maria Terezinha de Jesus Pedroza (PL) tinha, entre suas plataformas eleitorais, o Programa Eco Bairro, que propunha a implementação de hortas comunitárias e o plantio de árvores em áreas urbanas, bem como o IPTU Verde. No entanto, até o momento, esses projetos não teriam sido efetivamente implementados.




