O MUNICIPIO fecha série sobre árvores

Por Clovis Vieira
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Durante sete edições, O MUNICIPIO apresentou aos leitores a grave situação da carência de arborização urbana em São João da Boa Vista. Ruas centrais sem nenhuma árvore plantada ou com pouquíssimas espécies, Áreas de Proteção Permanente (APPs) abandonadas, implantação de parques e bosques iniciada e nunca terminada etc. A reportagem visitou cada um desses locais, fotografou, ouviu moradores e pessoal ligado à preservação do meio ambiente.

Antiga Ceagesp: área nas proximidades destinada a bosque teve intenção abandonada (Divulgação/Luís Antônio Pradella)

Coincidentemente, essa série de matérias foi publicada no momento em que o País experimenta uma onda de calor, com temperaturas apresentando 5 graus acima da média, por muitos dias, o que reforça a necessidade de sombreamento natural, de plantio regrado de árvores, de criação de bosques e parques.

A este respeito, o que dizem as autoridades sanjoanenses e representantes de grupos ecológicos e preservacionistas? Acompanhe.

DEPOIMENTOS

“Diante do cenário de mudanças climáticas é preciso que os governos adotem medidas visando instituir políticas públicas mais ostensivas com vistas à proteção do meio ambiente. No tocante à questão da arborização urbana, não há mais tempo a perder. Está comprovado cientificamente que a cobertura vegetal e o sombreamento urbano trazem muitos benefícios à população e o principal deles é a sensível diminuição da temperatura.  Portanto, é preciso unir esforços, definir as diretrizes para a urgente elaboração de um Plano Municipal de Arborização Urbana. É preciso criar o Espaço Árvore em cada imóvel, edificado ou não. Também é preciso que avancem os processos de educação ambiental nas escolas de ensino fundamental e médio. O Instituto Planeta Plantar apoiará todas as medidas tomadas pelo Poder Público que sinalizem nesse sentido”, disse Marcos Parolim, diretor do Instituto Planeta Plantar.

“A Lei nº 5.178, de 17 de agosto de 2023, adota a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) como diretriz de políticas públicas em âmbito municipal, institui o programa de sua implementação e cria a Comissão Municipal para o Desenvolvimento Sustentável (Agenda EcoSãoJoão2030); a Lei nº 5.206, de 18 de outubro de 2023, institui o Programa de Adoção de Áreas Públicas de Interesse Ambiental, abrindo a possibilidade a pessoas jurídicas e entidades do terceiro setor adotarem e cuidarem de espaços verdes pré-determinados no município; a Lei nº 5211, de 23 de outubro de 2023, cria o Conselho Municipal do Meio Ambiente e institui o Fundo Municipal do Meio Ambiente – FMMA, atualizou as competências do Condema e sua composição, além de garantir maior participação da sociedade civil e do Conselho junto ao Fundo Municipal de Meio Ambiente; a Lei nº 5.212, de 31 de outubro de 2023, [que] Disciplina a Arborização Urbana no Município de São João da Boa Vista, trouxe inúmeras melhorias no procedimento, reforçando as atribuições dos membros da Comissão Técnica de Arborização e Reflorestamento do Município – CTAR”, apresentou Carlos Gomes (PL), presidente da Câmara Municipal.

“São João da Boa Vista não tem uma característica de preservação do meio ambiente. Em 1997, com a aquisição da área da [antiga] Ceagesp, um setor foi selecionado para a implantação de um bosque municipal, onde até hoje tem uma placa informativa que pode ser vista a partir da rua Santo Antônio. Ali foram plantadas centenas de árvores, mas a intenção toda foi abandonada. Da mesma forma, é o que acontece com o Bosque ‘Gavino Quessa’, no Parque dos Jequitibás, uma área municipal que continua abandonada. E temos exemplos opostos, em cidades como Vargem Grande do Sul, Santo Antônio do Jardim e Espírito Santo do Pinhal, que têm bosques e parques. A cultura de política administrativa em São João deixa a desejar nesse setor. Hoje, a agenda mundial é o meio ambiente e nós estamos atrasados com relação a essa agenda, pelo menos uns 40 anos.”, pontuou Luís Antônio Pradella, representante da ONG Parque Vivo.

“A administração municipal tem elaborado, com a participação dos Conselhos, autoridades e sociedade civil, a modernização das legislações afeitas para a proteção do meio ambiente, pois temos uma preocupação real com essa causa. A participação da sociedade civil nos projetos sempre foi garantida por meio de diversas reuniões, estabelecendo-se assim a Agenda Ambiental do Município e convidando novos membros a pertencer a Comissão Técnica de Arborização e Reflorestamento (CTAR), ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema) e a Comissão Técnica para Estudos e Elaboração do Guia de Arborização Municipal (Cteegam), com portarias a serem publicadas até o final deste ano”, disse a prefeita Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (PL).

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