Por Clovis Vieira
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Todos os anos, nos meses de novembro e dezembro, a sanjoanense Maria Aparecida Germinari Smith, 67, promove um dos mais interessantes eventos gastronômicos e turísticos da região: o ‘Colha e Pague’, um deleite para os amantes das uvas. “Eu tenho 1.000 pés da espécie Niágara e um pouco da Isabel; e há 5 anos recebemos o turista para colher o quanto desejar no parreiral, que vai pagar apenas o que colheu”, contou sobre esse sucesso que vem reunindo muita gente no Sítio do Ipê Amarelo nessas ocasiões.

Maria reside no sítio há 8 anos. E foi uma feliz coincidência que a fez chegar até lá. “Eu me casei muito cedo (aos 16 anos) e fui morar em São Bernardo do Campo com meu marido. Ele estava prestes a se aposentar e queria adquirir uma propriedade em Petrópolis, porque nessa época nós já morávamos no Rio de Janeiro”. Em visita aos seus familiares aqui em São João, em 2015, o casal foi levado por uma prima dela a conhecer a Serra da Paulista. Em certo trecho do caminho, havia uma placa de ‘vende-se’ que anunciava o local como disponível.
CAFÉ COLONIAL
No primeiro momento, ela não via qualquer possibilidade de voltar a morar na cidade e, muito menos, administrar uma propriedade rural. “Mas quando minha prima me disse que naquele sítio tinha uma pequena casa que meu pai construíra muito tempo antes, não resisti”, revelou. E mais: foram várias as vezes que o seu futuro marido entregou marmitas ao pai de Maria naquele local, anos antes de se conhecerem.
Após adquirirem o sítio, ela não voltou mais para o Rio de Janeiro. “Um fim de semana eu ia para lá, outro fim de semana meu marido vinha”. Mas a fatalidade o levou mais cedo do que ela gostaria, a apenas seis meses da aposentadoria dele. “Meu marido era um homem muito especial, me faz muita falta, ficamos 46 anos casados. E me deixou essa joia aqui na Serra”.
A ideia de promover o café colonial em sua propriedade – outro atrativo gastronômico e turístico – surgiu a partir de um curso do qual participou no Sindicato Rural, aqui na cidade. “Durante o curso, a minha professora Camila Bassi sugeriu organizar um café com boa variedade de gostosuras”. Ela confessa que, depois de um ano e meio, ainda investe na realização desses encontros, sem lucros que a ajudem a mantê-los.
CLIENTELA
Em sua percepção, o cliente do seu café colonial é aquele que gosta da natureza, que aprecia uma boa gastronomia, que busca o silêncio e a tranquilidade. A realização desse evento foi o toque que faltava para ‘rechear’ os demais meses do ano, fora da estação das uvas. Além de ocupá-la com outros afazeres que a fizessem esquecer por breve tempo a morte do marido.
As causas para a eventual baixa frequência no café colonial estão além de sua compreensão. O acesso ao local (7,5km na Serra da Paulista) é todo asfaltado, o ambiente é familiar e de tranquilidade, há um bônus para quem chega, que é a vista maravilhosa da Serra… “Eu tenho clientes fiéis, recebemos muita gente lá; mas eu acho que precisaria receber mais”, concluiu.




