Paciente espera por retorno médico há pelo menos um ano

Por Marcelo Gregório
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Uma mulher de 46 anos, que realiza tratamento, a cada 90 dias, no Ambulatório Especializado em Saúde Mental, com o propósito de se livrar do cigarro, afirmou que aguarda há pelo menos 12 meses por uma nova avaliação médica, após três consultas terem sido remarcadas. Mesmo sem passar pelo consultório, o médico teria deixado a receita pronta, mas sem mencionar se a quantidade de medicamentos deveria ser aumentada ou reduzida.

Saúde Mental: ambulatório especializado enfrenta problemas e diretor de saúde admitiu falha estrutural (Reprodução/Prefeitura de São João)

O serviço de saúde mantido pela Prefeitura de São João da Boa Vista funciona em um prédio na avenida João Osório, entre a Vila Conrado e o Jardim Bela Vista. Indagado sobre a situação, o diretor municipal de Saúde, Fábio Ferraz, explicou o motivo dos adiamentos. “A unidade vem remarcando algumas consultas de pacientes, que afirmam estar estabilizados em uso correto de suas medicações contínuas, devido à ausência de carga horária suficiente do atendimento médico, já que uma profissional solicitou desligamento há 50 dias e outro médico psiquiatra solicitou diminuição de sua carga horária semanal para apenas 4 horas. Por este motivo, a solução encontrada, neste momento, foi entrar em contato com os pacientes agendados e, diante da afirmação dos mesmos e através da avaliação médica dos prontuários destes pacientes, classificar as consultas. O médico atende os casos mais urgentes”, pontuou Ferraz.

Com receio de que a denúncia pudesse prejudicá-la, a paciente solicitou que o nome dela fosse preservado. A mulher explanou que até outubro do ano passado nenhum problema havia sido registrado no local. “Eu uso o tratamento desde quando comecei o processo para parar de fumar. Estava tudo certo e era muito bem atendida, posso dizer que melhor do que particular, e pegava a receita para a medicação para os três próximos meses”, explicou.

Entretanto, tudo mudou quando ela chegou ao ambulatório em abril de 2022 para ser consultada. Uma das profissionais teria dito que o atendimento naquela data precisaria ser remarcado, porém, o médico havia deixado a receita pronta e com o retorno agendado para três meses depois. “Quando chegou em janeiro, eles me ligaram para buscar nova receita, cancelaram a consulta e remarcaram para março. Em março, novamente, me ligaram para buscar a receita e remarcaram para dezembro. Eles me deram quatro receitas, uma de cada medicação, só que uma veio errada e tive que ir lá trocar”, expôs a cansativa situação.

CARGA HORÁRIA DO MÉDICO

Nesse vai e vem, sem solução, a paciente disse que ficou sabendo na unidade que o médico psiquiatra passaria a atender em horário reduzido de oito para apenas quatro horas semanais, mesmo diante da alta demanda. “No meu caso, consegui um encaixe para o dia 9 porque estou sem um dos medicamentos e preciso parar com outro. Estou sem passar pelo médico já faz um ano. Imagina uma pessoa que tem problemas mais graves o quanto estão sofrendo. Uma enfermeira disse que está uma calamidade e que eles não sabem o que fazer”, denunciou.

O responsável pela pasta reconheceu a falha da estrutura municipal. “Esta ação não é a ideal, mas foi a alternativa encontrada enquanto aguardamos a contratação de mais profissionais. Para levantamento de mais informações, sugiro que haja a identificação do paciente denunciante para que possamos responder sobre o caso em especial, já que, sem isso, não podemos confirmar a informação de que o mesmo foi desmarcado três vezes”, finalizou o diretor.

Outros usuários já procuraram a reportagem e disseram que estariam enfrentando o problema com a remarcação de consultas e a retirada de receitas sem conseguirem retorno médico, mas não quiseram dar entrevista, sob a alegação de quê poderiam sofrer represálias.

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