Por Pedro Souza
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A advogada paulistana Luiza Nagib Eluf, procuradora de Justiça de São Paulo aposentada e que integrou o Ministério Público Estadual de São Paulo entre 1983 e 2012, virá a São João da Boa Vista no sábado (26), às 19h30, para ministrar uma palestra sobre os avanços na legislação relacionados aos direitos da mulher. O evento será na Academia de Letras de São João, localizada à Estação das Artes. Na ocasião, ela também fará uma noite de autógrafos da décima edição de seu livro, ‘A Paixão no Banco dos Réus’.

“Eu fui convidada para fazer essa conversa amigável para os amigos da Academia de Letras, foi um belo convite, espero que tenhamos uma noite agradável. Sou membro da academia e sinto alegria de estreitar os laços. Pretendo contar um pouco de minha vida, de minha profissão, de meus trabalhos, de meus livros e dos festivais de música”, disse Luiza, em entrevista ao O MUNICIPIO.
Luiza foi promotora substituta em São João da Boa Vista, sendo logo promovida à primeira entrância um ano depois, para ser promotora de Justiça de Vargem Grande do Sul. É integrante da Academia de Letras de São João da Boa Vista há nove anos e ocupa a cadeira 12, que tem como patrono o escritor Carlos Drummond de Andrade.
“Minha família materna mudou-se para São João da Boa Vista na época da Revolução Constitucionalista de 1932. Eles moravam em Santo Antônio do Jardim e graças à luta armada fugiram para São João. Minha mãe morou em São João até se casar. Eu cresci amando a cidade, passava todas as minhas férias escolares com meus avós fazendeiros, tenho saudades imensas da cidade dos crepúsculos maravilhosos”, contou.
EVENTO
O evento será gratuito, aberto ao público e faz parte de uma série de ações propostas pela diretoria da Academia de Letras, com o intuito de discutir temas de interesse da sociedade. As palestras abordarão diferentes temáticas e serão ministradas por profissionais de áreas distintas, para fomentar a ampla discussão de temas relevantes para a sociedade. “Vimos a necessidade de abrir este espaço para falar sobre assuntos que interferem no cotidiano da população. A academia é este lugar, onde podemos nos encontrar para discutir, fomentar e partilhar ideias que influenciam a vida das pessoas”, comentou o presidente da Academia de Letras, Antonio Carlos Rodrigues Lorette.
O LIVRO
A décima edição do livro ‘A Paixão no Banco dos Réus’ traz a narrativa detalhada de casos de crimes de morte com muita repercussão. Além de relatar os fatos e a solução dada pela Justiça, o livro faz uma análise do crime passional, discutindo as causas, circunstâncias e consequências.
Examina, também, as teses normalmente apresentadas pela defesa e pela acusação no plenário do Júri. O objetivo é mostrar que o amor verdadeiro não leva ao crime e que a legítima defesa da honra não pode mais ser utilizada como justificativa para o assassinato.
“O livro é sobre crimes passionais que aconteceram no Brasil ao longo do tempo, desde os idos de 1800 até os tempos recentes. Pretendo mostrar a violência praticada contra a mulher em nosso País e trazer propostas de pacificação”, pontuou Luiza.
PERFIL
Luiza Nagib Eluf ingressou na carreira pública por vocação e teve uma trajetória marcada pela luta pelos direitos da mulher.
Entre suas conquistas está a colaboração na redação da lei 10.224 de 15 de maio de 2001, que tornou crime o assédio sexual no Brasil. Também integrou Conselhos Estaduais e Federais de Entorpecentes, de Direitos Humanos, da Condição Feminina e do Combate ao Racismo, além das Comissões de Reforma do Código Penal criadas pelo ministro da Justiça Maurício Correa, e da criada pelo Senado Federal em 2011.
A atuação de Luiza colaborou para que o racismo, o preconceito e a violência contra a mulher passassem a ser considerados crimes no Brasil.
Com escritório próprio, atualmente ministra cursos de direito penal organizados pelo Conselho Nacional do Ministério Público em todo o Brasil, em prol da Estratégia Nacional de Segurança Pública (ENASP).




