Por Marcelo Gregório
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A ampla exposição do crime definido como bárbaro ocorrido em São João da Boa Vista, com referência ao assassinato do advogado Luís Octávio Martins Milan (34), há uma semana, motivou O MUNICIPIO a procurar especialistas em Segurança Pública com a finalidade de obter resposta para a seguinte pergunta: o que leva uma pessoa a se colocar em situação risco mesmo tendo conhecimento que pode se tornar vítima?
No suposto latrocínio, roubo seguido de morte, que vitimou Milan, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apura um possível encontro marcado entre a vítima e o suspeito Marcus Vinícius Rodrigues (21), via aplicativo de relacionamentos. A perversidade do ato trouxe um alerta à população acerca de como devem ser os cuidados para que golpes não resultem em situações irreversíveis.

USO DE APLICATIVOS
O acesso fácil a compras, viagens e, principalmente, relacionamentos por meio de aplicativos instalados em aparelhos celulares exige atenção redobrada. O ex-subcomandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Coronel PM Renato Nery Machado, explicou que o autocontrole é necessário. “Acreditamos que essa observação cabe bem no assunto que estamos tratando. Obviamente, não podemos julgar e/ou criticar, pois todos nós estamos sujeitos a passar por tais situações. Acreditamos que o principal motivo de pessoas com bom ou até mesmo elevado grau de instrução, com formação acadêmica sólida, se envolverem em busca de aventuras, é quando permitem que as emoções dominem a razão”, opinou Nery, como é conhecido.
LOCAL PÚBLICO
O coronel reforçou que convites feitos para encontros, após conversas virtuais, exigem que o comportamento do convidado esteja alinhado à prevenção. “É o momento de ‘ligar a chave’ da razão e iniciar alguns questionamentos: por que essa pessoa quer me encontrar em local afastado de ambientes públicos? O que ela tem a esconder? Será que os dados dela, nos perfis de redes sociais, são reais? Quando uma pessoa pratica algum ato e precisa esconder tem coisa errada. Cuidado”, alertou o ex-subcomandante da PM paulista.
FALSA APARÊNCIA
Delegado de polícia de classe especial, agora aposentado, o advogado dr. Ruyrillo Pedro de Magalhães tem vasta experiência em Segurança Pública. Ex-secretário municipal de Campinas, o professor de Direito atendeu à reportagem do O MUNICIPIO e pontuou que a maioria dos criminosos se aproveita de brechas para chegar até as vítimas. “As pessoas, às vezes, se deixam levar por todo esse aparato tecnológico. [O] criminoso coloca uma outra imagem diferente mais atrativa do que realmente é e o cidadão, mesmo aquele mais instruído, pensando que está conquistando alguma coisa, um negócio, acaba se deixando levar pelas aparências que são falsas”, alertou Magalhães.

POR POUCO
Moradora em São João, a aposentada M.M. (57) quase caiu em um golpe ao ser seduzida à compra de um veículo, modelo Hyundai HB20, divulgado em grupos de classificados na internet. O valor atrativo, R$ 20 mil a menos que o mercado, gerou desconfiança que não seria um bom negócio. “Fiz uma busca e descobri que o mesmo carro estava sendo anunciado em locais diferentes. Pedi ao ‘dono’ que me mostrasse o carro por imagem de câmera para conferir com as fotos, mas em seguida ele me bloqueou e retirou a postagem”, relatou a mulher.
MORTE DA MAYARA
Do virtual para o real, os especialistas orientaram sobre a necessidade de cautela para quem costuma passar por trajetos em regiões com pouca movimentação de pessoas. Em maio de 2022, Mayara Roquetto Valentim (23), estudante de Ciências Biológicas da Unicamp, fazia uma caminhada sozinha na estrada Serra da Paulista, em São João, e foi assassinada a golpes de faca. O suspeito, Michael Douglas da Silva (28), que confessou o crime foi preso dias depois. Ele responderá por roubo seguido de morte e tentativa de homicídio qualificado, já que teria tentado matar a inquilina de uma pensão onde havia se hospedado.
Segundo o comandante do 24º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), tenente-coronel Marcelo Domingos Facadio, embora as polícias Civil e Militar respondam à sociedade com a prisão de criminosos de alta periculosidade, a população deve evitar o relaxamento. “Nós sempre estamos atentos aos problemas que estão mais atuais no nosso dia-a-dia. Precisamos considerar a questão de que as pessoas passam a se sentirem seguras ao observar respostas rápidas dos órgãos de segurança pública, mas devemos estar sempre ‘ligados’, não ‘baixando a guarda’, relatou Facadio.

TODOS PODEM AJUDAR
De acordo com Ruyrillo Magalhães, a sociedade pode contribuir no combate ao crime. “Cabe a todos nós, pais, mães, amigos, professores, colegas de trabalho, igrejas, todos que têm a oportunidade de fazer comentários, colocar as coisas no dia a dia, [e] mostrar a realidade. Cabe a nós lembrarmos as pessoas do perigo que é cair [em] conversas dessas que podem levar, infelizmente, à morte ou lesões graves”, finalizou o ex-delegado, que participou da implantação da Guarda Civil Municipal em Campinas.




