Por Marcelo Gregório
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Mato alto, lixo espalhado e praticamente sem identificação visual. São apontamentos que retratam o atual estado do Bosque Municipal ‘Gavino Quessa’, em São João da Boa Vista. O cenário de suposto abandono tem gerado incômodo e revolta em quem tenta visitar as dependências e se depara com as más condições de conservação.
A área, que antes permitia o visitante observar nascentes, passar por trilhas ecológicas e permanecer em segurança durante o dia, demonstra necessidade de atenção para que não pareça ter sido deixada no esquecimento.

DENÚNCIA
Após longo período sem passar pelo bosque, o representante comercial Luís Missassi ficou surpreso e não escondeu a insatisfação com o que viu de perto. Nas redes sociais, ainda em fevereiro deste ano, ele relatou que toda a admiração do passado transformou-se em preocupação. “Fiquei indignado com a natureza linda que temos [e] que várias famílias poderiam aproveitar para lazer, [mas] a prefeitura simplesmente abandonou um dos nossos patrimônios. Nem a rica mina de água que tinha está funcionando”, denunciou.
PATRIMÔNIO TOMBADO
Localizado em região nobre de São João, entre o Parque dos Jequitibás e o Recanto do Bosque, o patrimônio ocupa 6 hectares de área verde e foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural e Ambiental (Condephic), por meio de decreto publicado em julho de 2010.

FICA-FICA
A denominação Gavino Quessa vem desde 9 de abril de 1996, data em que a Câmara Municipal aprovou a Lei nº 391, com o propósito de homenagear o popular radialista apelidado por Fica-Fica. Morto em 1994, o comunicador foi considerado por profissionais da área como um dos grandes nomes do rádio regional, com atuação na Piratininga—AM/970.
FAMÍLIA DO HOMENAGEADO
Perante o estado crítico do bosque, um dos netos do homenageado, Juliano Quessa, afirmou que sente muito pela situação porque o espaço é importante para São João e ainda o faz recordar do avô.
Quessa mencionou que, na época da publicação da lei, há 27 anos, a pretensão era completamente diferente do que se vê hoje. “Criou-se uma grande expectativa ao redor de um novo ponto turístico para o lazer e educação ambiental para toda população da cidade e região, principalmente estudantes, grupos de escoteiros, dentre outros.
“Lamento como qualquer cidadão pelo abandono que o bosque se encontra, inclusive com a ausência até de uma simples placa indicativa com o nome do local e homenageado, figura pública de sua época e que tanto fez por nossa cidade e população”, ressaltou Quessa.
ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL
Em resposta ao O MUNICIPIO, a Prefeitura afirmou que há um projeto tramitando entre as pastas municipais de Meio Ambiente e Gestão e Planejamento Urbano que trata da recuperação do bosque e transformação da área em um parque para a prática de ciclismo, de trilha e outras atividades esportivas, assim como área de lazer. No entanto, o Executivo não disse quando o projeto poderá ser implantado.




