Célia Bertolto pauta sua vida pelas notas musicais

Por Clovis Vieira
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Por volta dos 15 anos de idade, a pinhalense Célia Regina Bertoldo descobriu que estava perdendo a audição no ouvido direito. Porém, esse ‘detalhe’ não a impediu de se tornar professora alfabetizadora e musicista “com carteira da Ordem dos Músicos do Brasil”, destacou com orgulho. Hoje, aposentada, lembra que em escolas particulares também lecionou Português e Geografia. “Mas as minhas aulas de Português eram ministradas com música! A música estaria presente em tudo o que já fiz profissionalmente”, disse.

Mãe de três filhas e filha do maestro Sílvio Bertoldo, da Orquestra Cacique, de Espírito Santo do Pinhal (SP), a música entrou muito cedo na vida dela — o pai tocava acordeão e piano. “Ele chegava em casa e, depois do banho e da janta, já ia separar as partituras. Eu servia como cantora, com essa voz rouca mesmo! E ri dessas lembranças carinhosas”, relembrou.

Célia Bertoldo (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

MUSICAL
Ao falar de música, ela cita seus mestres, os quais relembra com carinho: aprendeu violão com Pedro Franceschini, solo de violão com José Lopes, acordeão com Lídia e Ivo Raimundo e Nenê Farnetani, teclado com Ângela Farnetani e, mais atualmente, aulas de piano com Cristiane Caslini. Com esta bagagem de conhecimentos musicais somada ao talento natural, Célia compôs alguns hinos para escolas da cidade. “Em 1988, fui convidada a compor o hino da Escola Estadual ‘Monsenhor Antônio David’, foi primeiro hino que compus”, contou.

Em 2000, escreveu o hino do Colégio Experimental Integrado. Em seguida, o da Escola Acalanto e, finalmente, a canção oficial da Escola de Infância, do mesmo grupo educacional. Em 2006, iniciou um projeto que estendeu-se até 2018: a direção musical de oito shows de aniversário do jornal O MUNICIPIO. “Foi uma das coisas mais lindas da minha vida”, confessou. “Eu penso que nem mesmo o pessoal do jornal percebia a importância daqueles shows. As pessoas me abordavam na rua para saber quem cantaria, quais seriam as músicas…”, lembrou.

SÃO JOÃO
No final de 2021, passa por uma cirurgia no olho direito. Essa intervenção rouba dela a visão desse olho e a capacidade de enxergar em três dimensões, fazendo-a confundir o que é plano do que é uma escadaria, por exemplo. Mas essa dificuldade não a impede de consultar diariamente sua extensa biblioteca musical, composta de muitas partituras e dezenas de livros sobre a música popular brasileira. Da mesma forma, conviver com a ausência de um dos ouvidos nunca foi dificuldade para cantar e compor canções. “Porque o ouvido direito é muito bom!”, provocou.

Tem um chorinho inédito — ‘Choro em Mim’ —, que guarda carinhosamente para a voz de Maria Bethânia. Solicitada a comparar São João da Boa Vista a algum ritmo musical, essa pinhalense/sanjoanense de 77 anos preferiu, antes, confessar seu amor pela cidade: “Há momentos em que São João é uma música clássica, cheia de sentimentos! São João representa, para mim, o néctar dos deuses do Olimpo”, derramou-se em elogios. Desde 27 de dezembro de 2011 é Cidadã Sanjoanense, título outorgado a ela pela Câmara Municipal sanjoanense.

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