Por Marcelo Gregório
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Um extravasamento de esgoto detectado no curso d’água nas imediações da avenida Pedro Rezende Lopes, próximo à ponte da Vila Valentim, em São João da Boa Vista (SP), fez com que parte do Rio da Prata apresentasse coloração esverdeada, despertando curiosidade e trazendo preocupação aos moradores do bairro.
Em razão de o rio ocupar uma Área de Preservação Permanente (APP), com função ambiental de preservação dos recursos hídricos, e por haver propriedades rurais com criação de gado e produção de alimentos nas redondezas, autoridades ambientais foram comunicadas para o esclarecimento do fato.

Responsável pela tubulação rompida, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que fornece água, coleta e tratamento de esgotos para 375 municípios paulistas, incluindo São João, assim que soube da irregularidade no rio, prontamente direcionou membros da equipe técnica ao local para que fosse feita uma vistoria rigorosa nas redes coletoras existentes na região mencionada.
Em seguida, técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também compareceram ao local para análise de possível dano ao meio ambiente, bem como para estudo de medidas administrativas em razão do extravasamento de esgoto. Até o fechamento desta edição o órgão estadual ainda não havia emitido nenhum laudo da análise.
DENÚNCIA
Quem passou pela ponte da Vila Valentim, na última semana, percebeu que a água do rio apresentava diferença. Apreensivo, um dos moradores das proximidades, que preferiu não se identificar, entrou em contato com O MUNICIPIO relatando a situação e pedindo providências às autoridades, com receio de que o problema pudesse provocar mortes de peixes e outras espécies, além de prejuízos à extensa vegetação.
O QUE HOUVE
Após o trabalho minucioso sobre o que teria levado o fluxo de água apresentar tonalidade verde em parte do rio, os profissionais da Companhia chegaram ao diagnóstico. “A equipe constatou que, por alterações naturais no curso d’água, houve erosão em uma de suas margens, o que causou danos à tubulação de esgoto da Sabesp, provocando o extravasamento”, relatou a empresa.
SOLUÇÃO
Com o problema descoberto, a Sabesp adiantou que os serviços para a recomposição da tubulação danificada tiveram início com mobilização na sexta-feira (30), inclusive atravessando o fim de semana, para que os trabalhos fossem concluídos na terça-feira (4), com a regularização da operação de esgoto no local.
DANOS AO ECOSSISTEMA
O biólogo sanjoanense Michel Oliveira, pós-graduado em Ecologia, afirmou que o despejo de esgoto em rios pode causar desequilíbrio ao ecossistema local, alterando a oxigenação da água. “Afeta diretamente toda vida no rio, ocasionando morte de peixes e proliferação de algas, além de ser um risco para a saúde humana caso essa água seja utilizada para consumo ou irrigação de plantações, já que pode estar contaminada com patógenos que podem nos trazer inúmeras doenças e malefícios”, explicou Oliveira.
Sobre a situação do Rio da Prata, o profissional alertou ser necessário uma análise mais apurada. “Para que as medidas corretas sejam tomadas e se tenha menor impacto possível à saúde dos seres humanos e a natureza”, concluiu.




