Justiça marca data de audiência para acusado de matar a cachorra ‘Café’

Por Marcelo Gregório
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Acusado de matar brutalmente a cachorra ‘Café’, o psicólogo Antonio Carlos Zogbi Perette, 44, será julgado no dia 13 de novembro, às 13h30, em audiência marcada no Fórum de São João da Boa Vista (SP), em razão dos crimes de maus-tratos a animais e incêndio.

Atualmente, Perette está em liberdade provisória, com restrições, através de habeas corpus impetrado por sua defesa, com alegações de insanidade mental. Após os crimes, ele foi preso em São João no dia 5 de maio e, dias depois, foi levado a Casa Branca e, posteriormente, a Hortolândia, com saída em 10 de junho, para um hospital psiquiátrico onde permaneceu até o fim de junho.

Resgatada: Café havia sido adotada por comerciantes e era conhecida pelo temperamento dócil (Divulgação/Arquivo Pessoal)

A audiência foi marcada por decisão da juíza Elani Cristina Mendes Marum. Com base na apuração dos fatos, que ocorreu de forma esmiuçada e alicerçada em provas colhidas na fase policial, a magistrada relatou no processo que há requisitos suficientes que apontam Perette como autor dos crimes que tiraram a vida da cachorra.

MANIFESTAÇÃO SILENCIOSA E PACÍFICA

Divulgada a data do julgamento, ativistas prometeram manifestação no dia da audiência. O Grupo Justiça pela Café e por todos os animais, com apoio da Associação Guardiões da Rainha das Águas — Guará de Águas da Prata — e outras instituições da região, programou estar em frente ao Fórum de São Joao, no dia 13 de novembro. “[Será] uma manifestação pacífica e silenciosa durante a audiência a fim de não interferir nos trabalhos dos julgadores. Nossa finalidade é que se faça cumprir a Lei Sansão nº.: 14.064/2020, que aumentou a pena para quem maltratar cães e gatos, definindo que quem cometer esse crime passará a ser punido com 2 e 5 anos de reclusão, multa e proibição da guarda. Caso o crime resulte na morte do animal, a pena pode ser aumentada em até 1/3”, explicou a ativista por Direito dos Animais, Graciana Pirolla.

A ativista ainda recomenda que os participantes utilizem vestimentas pretas e levem cartazes com citações da Lei Sansão. “Para que se faça cumprir a condenação”, pediu.

O QUE DIZ A DEFESA

No processo, a defesa alegou não haver provas suficientes que incriminem o acusado e relatou que o psicólogo faz uso de medicamento contínuo e controlado por apresentar sintomas compulsivos e obsessivos, os quais já o levaram a diversas tentativas de suicídio, conforme relatório emitido por médico psiquiatra.

A Justiça, por sua vez, solicitou a realização de exames minuciosos que comprovem a insanidade de Perette. Os advogados também solicitaram o sigilo das informações, no entanto, tiveram o pedido negado. Agora, pedem a devolução de um aparelho celular apreendido para averiguação, por enquanto, sem resultado.

RELEMBRE O CASO

A morte de ‘Café’ ocorreu no dia 30 de abril. De acordo com a perícia, em razão de Perette residir ao lado da Boutique Filomena Cecílio, no bairro Perpétuo Socorro, local onde o animal ficava, ele usou uma escada e pulou o muro, tendo acesso ao quintal para iniciar a crueldade.

Brutalmente espancada, a cachorra teve uma fratura no maxilar. Ao tentar fugir das agressões, ela entrou em uma casinha de plástico e se escondeu. Na ocasião, o psicólogo teria fechado a saída e ateado fogo, impedindo a fuga, que só foi possível quando o abrigo derreteu.

Resgatada com vida, ‘Café’ não resistiu e morreu dez horas depois em consequência de queimaduras de segundo grau por todo o corpo, córneas derretidas, unhas arrancadas, bem como a inalação de fumaça em temperatura elevada, segundo apontou o laudo veterinário.

AMEAÇA

Investigações da Polícia Civil revelaram que o acusado fez reclamações contra a dona da boutique e chegou a ameaçá-la fim do ano passado, por conta de suposto barulho. Imagens de câmeras de segurança mostraram o psicólogo em um posto de combustíveis fazendo a compra do etanol utilizado para atear fogo na ‘Café’. À polícia, funcionários do estabelecimento disseram reconhecer Perette, contudo, ao ser questionado, na ocasião, ele preferiu o silêncio com a possibilidade de manifestação em juízo.

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