Por Clovis Vieira
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Aos 12 anos de idade, Amilton César dos Santos, 43, já trabalhava como pedreiro. A família simples, humilde, precisava dos resultados financeiros de seu esforço. E foi por esta época que descobriu sua aptidão para o esporte. O atletismo, corrida de rua, foi a atividade escolhida e Amilton percorria toda a cidade neste exercício. “Em pouco tempo, eu obtive destaque com premiações. Permaneci um tempo no Centro Olímpico do Ibirapuera, onde tive contato com os treinadores dos maiores esportistas nacionais”, relembrou.
Com o incentivo dos pais, logo na infância descobriu seu potencial didático que o levaria a tornar-se professor. Sua decisão pela disciplina Biologia foi motivada por figurinhas impressas de animais selvagens que vinham em chicletes, por programas de TV como o ‘Globo Ciências’, ‘Globo Ecologia’, ‘O Mundo de Beackman’ e livros que o pai lhe presenteava. “Após terminar o ensino médio, eu continuei trabalhando na construção civil até os meus 23 anos. Então, frequentei o curso de Letras e sou formado em Inglês e Espanhol”.

PRÊMIOS
No entanto, foi mesmo em Ciências Biológicas que encontrou o seu caminho. “Eu sou muito grato à professora Celina Mançanares, de Iniciação Científica, que me levou a um congresso na Universidade de São Paulo (USP), onde participei de um processo seletivo para mestrado e, por incrível que pareça, eu passei em primeiro lugar”. Assim, surgiu o professor Amilton, aptidão que foi surgindo gradualmente, até se firmar de vez. No processo seletivo de doutorado, também obteve o primeiro lugar.
Defendendo a tese de mestrado em 2016, recebeu premiação com a Menção Honrosa, com a segunda melhor tese do Brasil no Prêmio Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) Talento Universitário, do Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 2017. “Também recebi uma indicação para um prêmio na National Key Universities, em Tóquio. Fui até lá participar de um concurso para jovens cientistas. Não recebi esse prêmio, mas a viagem valeu demais”.
PRODUÇÃO
Por intermédio de concurso conseguiu uma vaga como docente no Instituto Federal de Muzambinho (MG), cargo ao qual abdicou em favor do UniFEOB, onde atua desde 2019. “É um lugar que deu muitas oportunidades, eu queria muito voltar. Devo muita consideração ao João Otávio”, salientou. Parece decisão acertada, já que nos últimos quatro anos tem sido professor homenageado pelos formandos. Agora, no meio do ano, será o patrono de uma turma modular.
Prolífico, o ex-pedreiro já escreveu 104 artigos científicos registrados no Currículo Lattes, semana passada teve um capítulo só dele em livro de ciências na Suécia, sobre comportamento animal. Em São João, promoveu e organizou duas feiras de ciências em escolas estaduais onde lecionou. Amilton, biólogo e professor de Biologia no Estado. Mestre, doutor, pós-doutor. Hoje, é professor universitário no UniFEOB. Nesta universidade leciona anatomia, biologia celular, histologia, embriologia, fisiologia e reprodução assistida entre outras disciplinas.




